sábado, 7 de junho de 2014

SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE

         São Tomé e Príncipe é um país insular, localizado na costa Oeste africana, no Golfo da Guiné, a 300 km do Gabão. Banhado pelo oceano Atlântico, esse país é formado pelas ilhas São Tomé, Príncipe, por duas ilhas vulcânicas – Gago Coutinho (ou das Rocas) e das Cabras – e por penedos desabitados, denominados Pedras Tinhosas – Tinhosa Grande e Tinhosa Pequena. O país possui uma área de aproximadamente 1.001 km quadrados e uma população de cerca de 74.000 habitantes. Sua geografia é composta por belas praias e uma vegetação exuberante.
         Em relação à economia, pode-se dizer que, no passado, São Tomé e Príncipe viveu-se praticamente do açúcar, do café e do cacau. No momento atual, o país mantém-se agrário, sendo produtor de banana, coco, azeite de dendê, cacau. A pesca também é uma atividade de grande importância.
         Acredita-se que primeiramente João Santarém e posteriormente Pêro Escobar foram os primeiros portugueses a chegarem em São Tomé e Príncipe, respectivamente nas datas 21 de dezembro de 1470 e 17 de janeiro de 1471. Há controvérsias a respeito de ser o arquipélago, nessa época, habitado. Alguns historiadores afirmam que, no século XV, já viviam no Sul das ilhas de São Tomé e Príncipe etnias autóctones, que não tiveram contato com os portugueses na ocasião, porque esses ocuparam inicialmente apenas o Norte das ilhas.
         Foi somente em 1493, com as ilhas sendo entregue ao capitão donatário Álvaro Caminha, que se iniciou o povoamento da região. Foram enviados para São Tomé e Príncipe portugueses da ilha da Madeira, degradados lusos, alguns espanhóis (maior parte genoveses), crianças judias separadas dos pais e escravos oriundos da Guiné-Bissau, do Gabão, do Benin, do Manicongo, ocasionando intensa miscigenação. Assim, a população atual do arquipélago é predominantemente crioula. Sua língua oficial é o português, que convive com crioulos: o forro, o angolar, entre outros.
         Devido à existência de poucas mulheres brancas em São Tomé e Príncipe à época do povoamento, os portugueses passaram a relacionar-se com escravas africanas, no intuito de, com os frutos dessa união, povoar a região. Tal descendência veio a constituir o grupo étnico mais importante da ilha de São Tomé: os forros ou filhos da terra, considerados, na atualidade, os representantes são-tomenses. Esses e os angolares – descendentes de escravos angolanos vítimas do naufrágio de um navio negreiro por volta de 1546/1547 – são hoje os grupos étnicos existentes no arquipélago.
        A colonização em São Tomé e Príncipe se iniciou com plantações de cana-de-açúcar. A criação de engenhos para essas plantações trouxe a necessidade de mão-de-obra, suprida com negros escravizados. O mercado de escravos foi intensamente explorado no arquipélago desde 1500 até meados do século  XIX. As ilhas de São Tomé e Príncipe serviram de entreposto aos navios negreiros que iam da África para a América.
        O fim da escravidão no Brasil trouxe uma instabilidade econômica para São Tomé e Príncipe, que desde o fim do século XVI tinha como fonte de lucro o comércio escravo. Nesse momento, introduziu-se nas ilhas o cultivo do café e do cacau. O regime do contrato veio substituir a escravidão. Portugueses e forros, que formavam a elite do arquipélago, passaram a importar serviçais de outras regiões africanas, inclusive de colônias portuguesas, para trabalharem nas roças pelo regime do contrato. Tais serviçais eram chamados de contratados. Contudo, devido aos baixos salários e intensas obrigações, esses contratados acabavam numa relação de semi-escravidão. Tal regime de mão-de-obra só passou a ser contestado na primeira metade do século XX, quando se iniciaram os movimentos de valorização do negro – Renascimento Negro, Negritude. Estudantes africanos instalados em Lisboa e intelectuais africanos das colônias passaram a denunciar o tráfico negreiro e a opressão colonial.
         No ano de 1960 fundou-se o Movimento pela Libertação de São Tomé e Príncipe (MLSTP). A independência da colônia foi negociada em novembro de 1974 e proclamada em 12 de julho de 1975, na praça do povo, em São Tomé, capital das ilhas. Assumiu a presidência Manuel Pinto da Costa, eleito pela Assembléia Nacional, que foi constituída após a queda do governo português.
         Atualmente, o país é considerado um dos mais pobres do mundo, vivendo praticamente do plantio do cacau. Já em relação ao aspecto cultural, as variadas manifestações de música, dança, teatro devem-se à forte miscigenação havida na época do povoamento e colonização do arquipélago.

Referência bibliográfica
SECCO, Carmen Lúcia Tindó Ribeiro. Literaturas Africanas. Rio de Janeiro: UFRJ, 2006.

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