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domingo, 29 de junho de 2014
sábado, 7 de junho de 2014
CANTIGA DA CATIVA
Eu sou a pobre cativa
A cativa d’além-mar.
Eu vago em terra estrangeira.
Ninguém me quer escutar;
Tu que vais a longes terras,
À viageira andorinha,
Vai dizer à minha mãe,
Que eu vivo triste e sozinha.
Mas diz à pobre que espere,
Que o Vento me há de levar
Quando eu morrer nesta terra,
Para as terras de além-mar.
A canção do africano
Lá na úmida senzala,
Sentado na estreita sala,
Junto ao braseiro, no chão,
Entoa o escravo o seu canto,
E ao cantar correm-lhe em pranto
Saudades do seu torrão ...
De um lado, uma negra escrava
Os olhos no filho crava,
Que tem no colo a embalar...
E à meia voz lá responde
Ao canto, e o filhinho esconde,
Talvez pra não o escutar!
Minha terra é lá bem longe,
Das bandas de onde o sol vem;
Esta terra é mais bonita,
Mas à outra eu quero bem!
0 sol faz lá tudo em fogo,
Faz em brasa toda a areia;
Ninguém sabe como é belo
Ver de tarde a papa-ceia!
Aquelas terras tão grandes,
Tão compridas como o mar,
Com suas poucas palmeiras
Dão vontade de pensar ...
Lá todos vivem felizes,
Todos dançam no terreiro;
A gente lá não se vende
Como aqui, só por dinheiro".
O escravo calou a fala,
Porque na úmida sala
O fogo estava a apagar;
E a escrava acabou seu canto,
Pra não acordar com o pranto
O seu filhinho a sonhar!
............................
O escravo então foi deitar-se,
Pois tinha de levantar-se
Bem antes do sol nascer,
E se tardasse, coitado,
Teria de ser surrado,
Pois bastava escravo ser.
E a cativa desgraçada
Deita seu filho, calada,
E põe-se triste a beijá-lo,
Talvez temendo que o dono
Não viesse, em meio do sono,
De seus braços arrancá-lo!
Lá na úmida senzala,
Sentado na estreita sala,
Junto ao braseiro, no chão,
Entoa o escravo o seu canto,
E ao cantar correm-lhe em pranto
Saudades do seu torrão ...
De um lado, uma negra escrava
Os olhos no filho crava,
Que tem no colo a embalar...
E à meia voz lá responde
Ao canto, e o filhinho esconde,
Talvez pra não o escutar!
Minha terra é lá bem longe,
Das bandas de onde o sol vem;
Esta terra é mais bonita,
Mas à outra eu quero bem!
0 sol faz lá tudo em fogo,
Faz em brasa toda a areia;
Ninguém sabe como é belo
Ver de tarde a papa-ceia!
Aquelas terras tão grandes,
Tão compridas como o mar,
Com suas poucas palmeiras
Dão vontade de pensar ...
Lá todos vivem felizes,
Todos dançam no terreiro;
A gente lá não se vende
Como aqui, só por dinheiro".
O escravo calou a fala,
Porque na úmida sala
O fogo estava a apagar;
E a escrava acabou seu canto,
Pra não acordar com o pranto
O seu filhinho a sonhar!
............................
O escravo então foi deitar-se,
Pois tinha de levantar-se
Bem antes do sol nascer,
E se tardasse, coitado,
Teria de ser surrado,
Pois bastava escravo ser.
E a cativa desgraçada
Deita seu filho, calada,
E põe-se triste a beijá-lo,
Talvez temendo que o dono
Não viesse, em meio do sono,
De seus braços arrancá-lo!
Castro Alves
Livro: A era da escravidão/ Organizado por Luciano Figueiredo.- Rio de Janeiro: Sabin, 2009.
Material postado por Itaciane Kaline (Aluna do 6º período do Curso de Letras - FEUC)
Contexto histórico dos países africanos de língua portuguesa
ANGOLA
Situada na África Ocidental, banhada pelo Oceano Atlântico, numa extensão de 1600 km, a República de Angola compõe-se, em termos de território, em duas partes, separadas por uma pequena porção de terra, sendo a menor constituída pelo enclave de Cabinda, com área de 7680 km . O território angolano, na sua totalidade, tem uma superfície de 1.259.000 km2 e sua população aproximada é de 10 milhões de habitantes. A capital do país é Luanda.
Apesar de a língua oficial ser a portuguesa, no território coexistem nove grupos etnolingüísticos diversos, o que resulta em um grande número de línguas nacionais falada pelos habitantes do país.
A chegada portuguesa a Angola data de 1482, com a expedição de Diogo Cão. A resistência ao colonizador português sempre se fez sentir no território, sendo digna de menção, entre outras figuras, a rainha Nzinga que, no século XVII, chegou a realizar alianças com os holandeses, que haviam invadido Angola, para tentar derrotar os portugueses.
A opressão colonial foi intensa e o dia 4 de fevereiro de 1961 marca o início da luta armada de libertação contra o jugo português, quando nacionalistas com armas toscas atacaram as prisões de Luanda, tentando libertar companheiros presos. A independência do país ocorreu a 11 de novembro de 1975 e seu primeiro presidente foi Agostinho Neto, na época dirigente do MPLA (Movimento Popular pela Libertação de Angola), partido fundado em 1956.
A pós-independência de Angola foi bastante conturbada. Passada a euforia da libertação, travou-se uma guerra de desestabilização fratricida. A UNITA (União Nacional para a Independência Total de Angola), liderada por Jonas Savimbi, se opôs ao governo do MPLA, apoiada inicialmente pela África do Sul, então sob governo racista, e pelos Estados Unidos. Esse confronto sangrento se arrastou por quase 30 anos. Em 1992, Savimbi concorreu às eleições para a presidência da República do país e, tendo perdido para José Eduardo dos Santos, do MPLA, intensificou novamente a guerra interna, que ceifou numerosas vidas e destruiu o território angolano.
Angola hoje vive uma situação de paz, depois da morte de Jonas Savimbi, em fevreiro de 2002, e do cessar-fogo, em 4 de abril de 2002. Entretanto, a situação é muito complexa: as feridas da guerra deixaram cicatrizes profundas e o neoliberalismo lança seus tentáculos também sobre a África, principalmente Angola. País rico, produtor de diamantes e petróleo. A guerra findou, mas um neocolonialismo, comandado pelo FMI e pelo Banco Mundial, cria novas relações de dependência e opressão.
Referência bibliográfica
SECCO, Carmen Lúcia Tindó Ribeiro. Literaturas Africanas. Rio de Janeiro: UFRJ, 2006.
CABO VERDE
Em suas navegações, os portugueses, ao se defrontarem com a ponta mais ocidental da África, onde hoje está a cidade de Dakar, capital do Senegal, ficaram impressionados com a sua verdura e resolveram batizar o local de Cabo Verde. Poucos dias depois, ao encontrarem em frente um arquipélago, deram-lhe o mesmo nome. Cabo Verde é formado por dez ilhas e vários ilhéus. Suas principais ilhas denominam-se Santiago e São Vicente e possuem como capitais, respectivamente, Praia e Mindelo, sendo a primeira também a capital de Cabo Verde. O país encontra-se situado no Oceano Atlântico, a 455 km do continente africano. Com uma área total de 4. 003 km, Cabo Verde é formado por dois grupos de ilhas: o do Barlavento, ao norte, com as ilhas de São Vicente, São Nicolau, Santo Antão, Santa Luiza, Boa Vista e Sal, além dos ilhéus Pássaros, Branco e Raso, e o grupo do Sotavento, ao Sul. Com as ilhas de Santiago, Maio, Fogo, Brava e os ilhéus de Santa Maria, Luís Carneiro, Sapado, Grande e Cima.
Os ilhéus de Cabo Verde são quase todos desabitados e a maior parte das ilhas sofre com secas e ventos fortes soprados do Leste – as “lestadas” – que provocam flagelos e fome. Tais males não são conseqüências apenas do clima semidesértico e do terreno árido, mas também da antiga exploração do solo, com o cultivo do algodão, indigo, sisal, além da criação de cabras. Esse abuso da terra cabo-verdiana acarretou em seu rápido empobrecimento e degradação. Devido à significativa miséria, os cabo-verdianos estão sempre em retirada, deslocando-se para outras ilhas ou outros países em busca de melhores condições de vida. É nesse contexto que se enraíza o dilema “querer ficar e ter de partir” caracterizador da alma cabo-verdiana.
A economia das ilhas é quase que essencialmente agropecuária, com exceção da ilha de São Vicente (em virtude do porto marítimo) e da ilha do Sal (em razão das salinas e do aeroporto internacional, que, juntamente com a presença de hotéis de categoria internacional, proporciona o turismo). Quanto à agricultura, cultiva-se principalmente o milho, base do prato típico de Cabo Verde, a catchupa.
Existem dúvidas a respeito dos “descobridores” do território insular de Cabo Verde. Contudo, é certo que quando os portugueses lá aportaram por volta de 1460, numa esquadra comandada por Diogo Gomes, as ilhas eram desabitadas. O arquipélago foi povoado, então, por portugueses vindos das ilhas da Madeira e dos Açores e, principalmente, por negros de diferentes etnias trazidos da Guiné-Bissau e do Senegal, o que resultou em intensa mestiçagem. Até hoje observa-se uma heterogeneidade cultural em se tratando das várias ilhas do arquipélago. Quanto ao aspecto lingüístico, a miscigenação teve como conseqüência o surgimento de um falar de emergência, o pidgin cabo-verdiano, que mais tarde se transformou no crioulo de Cabo Verde (um crioulo de base portuguesa).
Os portugueses e africanos que para Cabo Verde foram levados trabalhavam, na maioria das vezes, em plantações de tabaco, café e cana-de-açúcar. Por longo tempo, este arquipélago serviu apenas de entreposto comercial, parada obrigatória para os navios que tinham como destino as Índias ou as Américas. Lá se abasteciam de alimentos e, mais tarde, de escravos. Assim, durante quatro séculos, tal colônia teve um desenvolvimento peculiar, que resultou em sua cultura mestiça, oriunda do cruzamento europeu e africano.
Somente por volta de 1850 é que, findado o tráfico negreiro, Portugal se voltou para colonizar o arquipélago, criando a imprensa, fundando liceus e impondo a língua portuguesa como idioma oficial. Não obstante, o linguajar crioulo já se encontrava enraizado nessa época e, portanto, continuou a existir à margem do sistema. Enquanto a língua portuguesa era usada nas escolas e em repartições públicas, falava-se crioulo no dia-a-dia. Esse bilingüismo persiste até os dias atuais.
Desde os tempos coloniais, a miséria e a fome em Cabo Verde não foram combatidas, dado que se mostravam fatores positivos aos olhos do colonizador. Os retirantes da fome ou iam para Mindelo, se tornando escravos, ou partiam para as roças de São Tomé e Príncipe como contratados, enriquecendo, assim, as elites de Cabo Verde e de São Tomé que viviam desse tipo de escravidão dentro da própria África.
O colonialismo português nunca foi pacificamente aceito pela população do arquipélago, tendo a luta colonial se realizado de várias maneiras. No nosso século, por exemplo, antes da Segunda Guerra Mundial, sobretudo nos anos 20 e 30, elaborou-se uma ação “legal” através da imprensa e associações, no sentido de denunciar os abusos, arbitrariedade e injustiças cometidas pelos agentes e representantes das autoridades coloniais. Depois da Segunda Guerra Mundial, começou a desenhar-se uma nova etapa da luta, em que se combinaram os métodos “legais” com a atividade clandestina. Dessa forma, a 19 de setembro de 1956, Amílcar Cabral fundou o PAIGC (Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde), que atuou intensamente na guerra de libertação. Amílcar foi o grande líder revolucionário de Cabo Verde e Guiné-Bissau. Nascido na Guiné, filho de pais cabo-verdianos, era engenheiro agrônomo, poeta e pan--africanista. Comandou a prolongada luta política e armada pela independência tanto de Cabo Verde como da Guiné-Bissau.
Em 1957, o escritor cabo-verdiano Maltazar Lopes da Silva publicou O Dialecto Crioulo de Cabo Verde, encabeçando o movimento de legitimação e padronização da língua crioula.
Em 3 de agosto de 1559, tropas portuguesas abriram fogo sobre trabalhadores em greve nas Docas de pidjiguiti, no Porto de Bissau, na Guiné-Bissau, matando mais de 50 pessoas. O PAIGC iniciou a luta armada de 13 anos pela independência. Em 1960, o Movimento de Poesia Revolucionária montou forte oposição ao colonialismo. Os poetas cabo-verdianos Ovídio Martins, Kaoberdiano Dambara, Corsino Fortes, Onésimo Silveira, Abílio Duarte e muitos outros usaram a sua poesia para levantar a consciência popular e o debate público sobre as condições coloniais e a necessidade de mudança.
Em 20 de janeiro de 1973, Amílcar Cabral foi assassinado na Guiné-Conacri por agentes do Governo colonial. Em 24 de setembro de 1973, o PAIGC declarou a independência da República da Guiné-Bissau. Luís Cabral, irmão do falecido Amílcar, foi o primeiro presidente da Guiné-Bissau e de Cabo Verde. Mas, só em 5 de julho de 1975, a independência da República popular de Cabo Verde, separada da Guiné Bissau, foi reconhecida e proclamada em Praia. Aristides Maria Pereira foi eleito primeiro presidente da nação cabo-verdiana. Nascido na Boavista, trabalhou como administrador de telecomunicações na Guiné e foi membro fundador do partido. Após o assassinato de Amílcar Cabral, tornou-se secretário geral do PAIGC.
Cabo Verde assumiu sua independência com menos de três meses de provisões de alimentos, medicamentos essenciais e com um setor privado muito fraco. O desemprego e as expectativas populares eram elevados. Diante das dificuldades, os cabo-verdianos, em geral, continuaram obrigados a estar sempre emigrando. Assim, após a euforia da libertação veio um forte desencanto.
Em 1990, o Primeiro-Ministro Pedro Pires iniciou formalmente a “abertura” política, um movimento que iria proporcionar eleições multipartidárias em Cabo Verde. Estas se realizaram em 13 de janeiro de 1991. Em 1º de fevereiro do mesmo ano, António Mascarenhas Monteiro, antigo presidente do Supremo Tribunal de Cabo Verde, foi eleito Presidente da República.
Em 1994, Cesária Évora, a célebre cantora cabo-verdiana conhecida pelos seus admiradores franceses, como a “Diva Descalça”, ganhou um prêmio por vendas superiores a 150. 000 CDs na França. O seu triunfo assinala a chegada de Cabo Verde à cena da “World music”.
Embora a música cabo-verdiana afirme a identidade do arquipélago, hoje Cabo Verde também vive a ação transnacional do capitalismo econômico, dominado pelo FMI e pelo Banco Mundial. Muitos filhos das Ilhas continuam emigrando. Há uma quantidade bem significativa de cabo-verdianos nos Estados Unidos e no Canadá. Permanece, pois, na conjuntura contemporânea, o antigo dilema cabo-verdiano do “Ter de partir e querer ficar”.
SECCO, Carmen Lúcia Tindó Ribeiro. Literaturas Africanas. Rio de Janeiro: UFRJ, 2006.
SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE
São Tomé e Príncipe é um país insular, localizado na costa Oeste africana, no Golfo da Guiné, a 300 km do Gabão. Banhado pelo oceano Atlântico, esse país é formado pelas ilhas São Tomé, Príncipe, por duas ilhas vulcânicas – Gago Coutinho (ou das Rocas) e das Cabras – e por penedos desabitados, denominados Pedras Tinhosas – Tinhosa Grande e Tinhosa Pequena. O país possui uma área de aproximadamente 1.001 km quadrados e uma população de cerca de 74.000 habitantes. Sua geografia é composta por belas praias e uma vegetação exuberante.
Em relação à economia, pode-se dizer que, no passado, São Tomé e Príncipe viveu-se praticamente do açúcar, do café e do cacau. No momento atual, o país mantém-se agrário, sendo produtor de banana, coco, azeite de dendê, cacau. A pesca também é uma atividade de grande importância.
Acredita-se que primeiramente João Santarém e posteriormente Pêro Escobar foram os primeiros portugueses a chegarem em São Tomé e Príncipe, respectivamente nas datas 21 de dezembro de 1470 e 17 de janeiro de 1471. Há controvérsias a respeito de ser o arquipélago, nessa época, habitado. Alguns historiadores afirmam que, no século XV, já viviam no Sul das ilhas de São Tomé e Príncipe etnias autóctones, que não tiveram contato com os portugueses na ocasião, porque esses ocuparam inicialmente apenas o Norte das ilhas.
Foi somente em 1493, com as ilhas sendo entregue ao capitão donatário Álvaro Caminha, que se iniciou o povoamento da região. Foram enviados para São Tomé e Príncipe portugueses da ilha da Madeira, degradados lusos, alguns espanhóis (maior parte genoveses), crianças judias separadas dos pais e escravos oriundos da Guiné-Bissau, do Gabão, do Benin, do Manicongo, ocasionando intensa miscigenação. Assim, a população atual do arquipélago é predominantemente crioula. Sua língua oficial é o português, que convive com crioulos: o forro, o angolar, entre outros.
Devido à existência de poucas mulheres brancas em São Tomé e Príncipe à época do povoamento, os portugueses passaram a relacionar-se com escravas africanas, no intuito de, com os frutos dessa união, povoar a região. Tal descendência veio a constituir o grupo étnico mais importante da ilha de São Tomé: os forros ou filhos da terra, considerados, na atualidade, os representantes são-tomenses. Esses e os angolares – descendentes de escravos angolanos vítimas do naufrágio de um navio negreiro por volta de 1546/1547 – são hoje os grupos étnicos existentes no arquipélago.
A colonização em São Tomé e Príncipe se iniciou com plantações de cana-de-açúcar. A criação de engenhos para essas plantações trouxe a necessidade de mão-de-obra, suprida com negros escravizados. O mercado de escravos foi intensamente explorado no arquipélago desde 1500 até meados do século XIX. As ilhas de São Tomé e Príncipe serviram de entreposto aos navios negreiros que iam da África para a América.
O fim da escravidão no Brasil trouxe uma instabilidade econômica para São Tomé e Príncipe, que desde o fim do século XVI tinha como fonte de lucro o comércio escravo. Nesse momento, introduziu-se nas ilhas o cultivo do café e do cacau. O regime do contrato veio substituir a escravidão. Portugueses e forros, que formavam a elite do arquipélago, passaram a importar serviçais de outras regiões africanas, inclusive de colônias portuguesas, para trabalharem nas roças pelo regime do contrato. Tais serviçais eram chamados de contratados. Contudo, devido aos baixos salários e intensas obrigações, esses contratados acabavam numa relação de semi-escravidão. Tal regime de mão-de-obra só passou a ser contestado na primeira metade do século XX, quando se iniciaram os movimentos de valorização do negro – Renascimento Negro, Negritude. Estudantes africanos instalados em Lisboa e intelectuais africanos das colônias passaram a denunciar o tráfico negreiro e a opressão colonial.
No ano de 1960 fundou-se o Movimento pela Libertação de São Tomé e Príncipe (MLSTP). A independência da colônia foi negociada em novembro de 1974 e proclamada em 12 de julho de 1975, na praça do povo, em São Tomé, capital das ilhas. Assumiu a presidência Manuel Pinto da Costa, eleito pela Assembléia Nacional, que foi constituída após a queda do governo português.
Atualmente, o país é considerado um dos mais pobres do mundo, vivendo praticamente do plantio do cacau. Já em relação ao aspecto cultural, as variadas manifestações de música, dança, teatro devem-se à forte miscigenação havida na época do povoamento e colonização do arquipélago.
Referência bibliográfica
SECCO, Carmen Lúcia Tindó Ribeiro. Literaturas Africanas. Rio de Janeiro: UFRJ, 2006.
GUINÉ-BISSAU
Situada na costa Ocidental africana, Guiné-Bissau é constituída de uma parte continental e de uma parte insular, esta separada do continente pelos canais Geba, Bolama, Pedro Álvares e Canhabaque. As ilhas da Guiné-Bissau formam o arquipélago de Bijagós. Destacam-se as de nome Formosa e Orango.
Guiné-Bissau possui 36.125 km, contudo somente 28.000 se encontram emersos. O restante é periodicamente coberto pelas marés cheias. O país faz fronteira ao Norte com o Senegal; a Oeste, com o oceano Atlântico; e a Leste e Sul, com a Guiné. Em seu litoral desembocam quatro rios importantes: Cacheu, Mansoa, Geba e Corubal. Esses dois últimos são os maiores do território, e todos se unem num largo estuário, em cuja margem direita fica a capital do país: Bissau. A pesca aí é muito produtiva, dado o encontro de águas doces e salgadas, que propicia uma grande variedade de peixes.
Guiné-Bissau serviu durante séculos de refúgio para numerosos povos africanos que sofreram invasões. Isso ocasionou no país uma complexidade étnica, lingüística e cultural enorme. Durante muito tempo acreditou-se que os povos da Guiné eram autóctones, todavia hoje se sabe que são originários do Saara. Os principais grupos étnicos existentes no país são os balantas, os fulas (fulbé ou peul), os manjacos, os papéis, os mandingas e os bijagós. Além dessas principais e de outras etnias, há também na população do país mestiços luso-guineenses e cabo-verdianos. Quando os portugueses chegaram à Guiné-Bissau, no século XV, com as viagens de Nuno Tristão (1444) e Álvaro Fernandes (1446), a região já era habitada por vários grupos oriundos do interior do continente, provavelmente do vale do Níger. Guiné-Bissau, desde a chegada dos portugueses até o final do século XIX, esteve muito ligada a Cabo Verde, servindo de entreposto comercial para o tráfico que transportava escravos para a América e para as ilhas cabo-verdianas.
O país ficou conhecido por um tempo como Guiné de Cabo –Verde. O crioulo falado aí se estabeleceu como língua materna de um grande número de guineenses. Somente com a separação das duas colônias, em 1879, a Guiné-Bissau foi se individualizando.
Embora o português seja o idioma oficial, a língua usada no dia-a-dia é o crioulo (o kriol guineenses), assim como ocorre em Cabo-Verde. O país apresenta diversos idiomas, devido à miscigenação ocorrida no passado. Entretanto, o crioulo é o conhecido por toda a população. Devido a isso, à época das guerrilhas, funcionou como instrumento de comunicação inter-étnica, de mobilização popular e de afirmação identitária.
Por servir como colônia de comércio, Guiné-Bissau não recebeu investimento do governo para seu desenvolvimento. O primeiro jornal dirigido por um guineense foi o Comércio da Guiné (1930-31). A opressão colonial, no final dos anos 50 e início dos 60, causava fortes descontentamentos. Amílcar Cabral, em 1956, fundou o PAIGC (Partido Africano da Independência da Guiné e de Cabo Verde). Contudo, foi o massacre de 50 trabalhadores, ocorrido no cais de Pidjiguiti, em Bissau, a 3/8/1959, que desencadeou, em 1963, a luta pela libertação, que durou até 24 de setembro de 1973, quando foi proclamada a independência da República da Guiné-Bissau, em Boé, reconhecida pelos portugueses apenas em 5 de julho de 1975, ocasião em que Cabo Verde também se libertou do jugo colonial português.
Após o reconhecimento da libertação da Guiné-Bissau, foi instalado um Conselho de Estado, cujo presidente foi Luís Cabral. O PAIGC, até então, constituíra-se como o único partido reconhecido. Em 14/11/88, um golpe de estado aboliu a Constituição e levou ao poder o “Conselho da Revolução”, presidido por João Bernardo Vieira (“Nino Vieira”), que se destacara como comandante guerrilheiro durante a guerra de libertação.
Atualmente, João Bernardo Vieira é o presidente do país, tendo sido reeleito em 1994, nas primeiras eleições do período multipartidário. Guiné-Bissau continua a ser um dos países mais pobres do mundo, sobrevivendo da agricultura e importando todos os produtos industrializados, dada a ausência de indústrias nacionais.
BREVE PANORAMA DA LITERATURA GUINEENSE
Em conseqüência de, somente entre 1948 e 1958, terem começado as primeiras campanhas de alfabetização na Guiné-Bissau, a escrita literária nesta ex-colônia portuguesa teve um desenvolvimento lento e tardio. Apesar dessa árdua trajetória histórica e social, a literatura desde sempre se fez presente na cultura guineense. Expressa oralmente, em geral transmitida através de relatos dos mais velhos para os mais novos, o corpus literário compunha-se de lendas, adivinhas e provérbios.
A bibliografia acerca das tradições guineenses no Brasil é poiuco encontrável. Em 1900, foi realizado o primeiro apanhado das tradições da Guiné-Bissau pelo Cônego Marcelino Marques de Barros. Esta recolha intitulou-se Literatura de negros.
Duas outras coleções foram publicadas; desta vez tendo sob foco a Ilha de Bolama: uma de dibiñas (adivinhas), de 1979, chamada ‘N STA LI ‘N STA LA, e outra de estórias, intitulada Jumbai, também do mesmo ano. Ambas coletâneas foram organizadas por Tereza Montenegro e Carlos Morais. Citemos ainda Mandingas, uma reunião de contos coordenada pelos mesmos autores. Em 1995, coube a Tereza Montenegro a publicação de as enxadas do rei, uma coletânea de contos que explorava a mitologia de pesquisas (INEP) da Guiné-Bissau contribuiu, até maio de 1998, para a divulgação das tradições orais do país, publicando não só diversos textos em crioulo, como também várias obras de autores guineenses. Infelizmente, a guerra contra o Senegal não poupou o INEP, que foi destruído por bombas e tiroteios.
Além de não muito extensa, a literatura escrita da Guiné-Bissau é pouco divulgada e pouco publicada. Este fato prejudica bastante os estudos das letras guineenses.
Apontam alguns estudiosos da área que as décadas de 20 e 30 do século XX representam o início da literatura guineense, visto que, neste espaço de tempo, surgiram os primeiros textos escritos. A temática explorada nesta fase remetia à natureza de Guiné-Bissau. Todavia, tais olhares voltados a terra, de acordo com o ponto de vista da professora Inocência Mata, significavam, ideologicamente, uma apologia ao colonizador, expressando, assim, uma visão colonialista. Aí se destacam os nomes de Fernanda de Castro e de Fausto Duarte. A primeira é autora dos livros Mariazinha em África, de 1925; As Aventuras de Mariazinha em África, de 1928; O Veneno do sol, romance, do mesmo ano que o anterior; e África raiz, poemas de 1929. O segundo escreveu Auá, novela negra premiada, de 1934; O Negro sem alma, de 1935; A Revolta, de 1945 e Foram estes os vencidos, do mesmo ano. Desta época é também o livro Poemas, de Carlos Semedo.
Referência:
SECCO, Carmen Lúcia Tindó Ribeiro. Literaturas Africanas. Rio de Janeiro: UFRJ, 2006.
MOÇAMBIQUE
Moçambique é um país da África Austral, voltado para o Oriente, banhado pelo oceano Índico. Possui 771.000.000 km de extensão e uma população de aproximadamente 15 milhões de habitantes. A origem de sua sociedade remonta aos séculos III ou IV d.C., quando povos bantu ali chegaram e se fixaram na costa oriental africana entre o lago Niassa e o oceano Índico, ao norte do país.
Por volta dos séculos VII e VIII, os árabes chegaram à costa africana oriental e estabeleceram o comércio com os bantu. O ouro e o marfim moçambicanos começaram a ser trocados por porcelanas, miçangas e tecidos árabes. Com o crescimento desse comércio, lucrativo para ambas as partes, tanto os árabes quanto os régulos dos povos bantu já “arabizados” criaram xecados, ou seja, sultanatos em alguns pontos do litoral moçambicano.
Aproximadamente ao final do século XV, alguns reinos bantu, entre os quais o de Monomoplata (este no interior, em região do centro de Moçambique), alcançaram seu apogeu, subjugando outras etnias africanas do centro/sul moçambicano, território que vai do rio Zambeze ao rio Limpopo. É nesse período que se estabelece o primeiro contato com os portugueses, que vinham explorando a costa africana desde 1415, quando aportaram em Ceuta. Dizendo tentarem encontrar um caminho para chegar às Índias, os navegadores lusos aportaram no Norte, na Ilha de Moçambique, em 1498, comandados por Vasco da Gama.
A partir dessa época, iniciou-se a luta dos conquistadores lusitanos para expulsar os árabes e subjugar as populações nativas de Moçambique, se apropriando das riquezas locais. Tais objetivos, no entanto, não foram alcançados com facilidade, devido à resistência dessas etnias africanas.
Até a metade do século XVIII, os portugueses deram prioridade à exploração das riquezas locais, primeiramente o ouro e depois o marfim. Voltados para esse comércio, os conquistadores, entre os anos de 1502 e 1752, deixaram a administração de Moçambique a cargo da Índia portuguesa (Goa), razão que explica o grande número de indianos em regiões moçambicanas. Contudo, à medida que o tráfico negreiro começava a se intensificar, a extração do ouro e do marfim diminuía. De 1750 a 1860, a ação portuguesa se concentrou no tráfico negreiro.
No início do século XIX, com mais ou menos dois séculos já passados de comercialização de escravos, a Inglaterra, grande potência européia da época, passou a lutar pelo fim do tráfico negreiro. Tal país tinha sofrido a Revolução Industrial na metade do século anterior, se tornando capitalista. O seu intuito na luta contra o tráfico era, portanto, fazer com que a força do trabalho escravo nas colônias americanas ou africanas fosse substituída por suas máquinas industriais já ultrapassadas.
A posição dessa potência européia dificultou muito a situação de Portugal e ocasionou, em meados do século XIX, o término do tráfico negreiro. A metrópole portuguesa, não tendo mais essa fonte de renda, decidiu, então, se voltar para a efetiva colonização das suas possessões africanas, entre as quais Moçambique. Entretanto, para que a colonização pudesse obter êxito, duas ideologias precisavam ser assimiladas pelos moçambicanos. Uma delas era a de que os portugueses eram superiores a eles tanto cultural, como racialmente e, por isso, mereciam ser respeitados e admirados. A outra consistia em fazer crer que os árabes não eram boas pessoas, merecendo, assim, o desprezo. Os portugueses sempre discriminaram os árabes (que dominaram o comércio moçambicano antes deles), a quem chamavam de “mouros negros”. O domínio português passou aos colonizados um preconceito, silenciando as marcas orientais presentes na cultura daquela colônia. Pretendia-se levar os moçambicanos ao esquecimento “de que não fora pela mão dos portugueses que os mesmos haviam entrado para a História”.
Inicialmente, muitos dos povos africanos locais incorporaram ambas ideologias, negando tanto os traços árabes que possuíam devido aos séculos de contato com orientais, como também as heranças de suas próprias etnias, voltando-se para a valorização da cultura portuguesa. Mas, houve também muita resistência de diversas etnias africanas até 1895.
Neste ano, Mousinho de Albuquerqure, administrador português em Moçambique, conseguiu prender, em Chaimite, o guerreiro moçambicano Gungunhana, chefe dos Vátuas. Foram os povos moçambicanos que mais resistiram à ocupação colonial. Após a dominação de Gungunhana, no final do século XIX, houve uma forte imposição da língua portuguesa como idioma oficial. Nessa época, ocorreu também a fundação de escolas, da imprensa e o aparecimento da literatura escrita.
Em meados do século XX, mais especificamente no fim dos anos 40, no entanto, houve uma conscientização da urgência de valorização da cultura moçambicana, a partir da percepção das injustiças sofridas pelos negros. Esse foi o período de fundação de uma autêntica literatura, que precedeu a fase literária dos tempos das lutas pela libertação.
Em 1962, o grande líder moçambicano Eduardo Mondlane fundou a FRELIMO (Frente de Libertação de Moçambique). O dia 25 de setembro de 1964 foi estabelecido como do início da guerra pela libertação de Moçambique, que só obteve sua liberdade em 25 de junho de 1975, após quase 11 anos de combate contra o colonialismo português. Eduardo Mondlane lutou muito, mas morreu em 1969, sendo substituído por Samora Machel, que se tornou o presidente da FRELIMO e assinou um acordo com um representante do governo português, marcando a independência para 25/06/1975. Conclui-se que esse acordo foi decorrente, principalmente, das guerrilhas em Moçambique, mas também da Revolução dos Cravos (ocorrida em 25/04/1974, em Portugal), que deu fim à ditadura de Salazar, cujos efeitos foram tão destrutivos para os portugueses como para os povos africanos colonizados. Eduardo Mondlane foi o primeiro presidente da república popular de Moçambique.
Seguiu-se à libertação deste país um período de euforia, com a FRELIMO no poder, interrompido dois anos depois com o começo da guerra civil. O povo tomou consciência de que as promessas feitas durante as lutas de libertação não foram totalmente cumpridas, de que a independência não fora a solução para todos os problemas da nação. Assim, diluiu-se parte das utopias revolucionárias. Após 1980, começou, então, um período de desilusão. As disputas políticas entre a RANAMO e a FRELIMO desencadearam, até outubro de 1992, uma guerra de desestabilização que destruiu bastante o país.
Em 4 de outubro de 1992, foi assinado em Roma o acordo de paz. Desde essa época terminaram as guerras em Moçambique. O atual presidente moçambicano é Joaquim Chissano, que substituiu o primeiro, Samora Machel, morto num estranho acidente de aviação em 1986. Há, hoje, um desejo de reconstrução nacional por parte do povo. Entretanto, o neoliberalismo contemporâneo atinge também o contexto econômico e político do país, que abre suas portas ao capitalismo transnacional, às privatizações, fazendo com que muitos moçambicanos se esqueçam dos ideais marxistas da época da independência. Pela proximidade com a África do Sul, muitas empresas sul-africanas começam a dominar parte dos negócios em Moçambique. O neocolonialismo, agora, é exercido pelo FMI e pelo Banco Mundial, que tentam enredar com seus tentáculos todo o planeta.
BREVE PANORAMA DA LITERATURA MOÇAMBICANA
A literatura moçambicana, antes de a colonização portuguesa se efetivar, era ágrafa e baseava-se nas tradições orais das etnias negras de origem bantu que habitavam originariamente o território hoje designado como Moçambique. Essa literatura oral, mesmo após a imposição da letra pelos colonizadores portugueses, continuou a se desenvolver paralelamente à literatura escrita, o que ainda ocorre até hoje, pois muitas etnias do interior moçambicano não falam o português e passam suas tradições, oralmente, através de estórias, lendas, provérbios e adivinhas.
Parte do rico patrimônio oral moçambicano foi recolhida por Orlando Mendes, conhecido poeta e prosador da literatura moçambicana. Vale ressaltar que, anterior a ele, tal apreensão cultural esteve a cargo de estrangeiros, que muitas vezes não possuíam a sensibilidade do reconhecimento da literatura oral como tradição dramática de um povo. Orlando Mendes considerou o caráter significativo dessa manifestação cultural, indo contra o pensamento preconceituoso de que as sociedades africanas seriam estéticas, incapazes de guardarem suas tradições.
Do século XVI ao XIX, apenas uma pequena parcela da população de Moçambique, assim como do restante da África portuguesa, sabia ler e escrever. De um modo geral, não existiam sistemas lingüísticos escritos; as línguas africanas, em sua maioria, eram apenas faladas. As tradições locais continuavam a ser, desse modo, transmitidas oralmente.
A produção literária escrita colonial desse período restringia-se à literatura de viagens: eram os próprios portugueses que forneciam suas impressões sobre o continente africano, atribuindo a este uma imagem “bárbara” e “exótica” através de historiografias, crônicas e depoimentos científicos e até religiosos. Dos escritos da expansão que deram seu testemunho, destacam-se, entre outros, Diogo do Couto, Fernão Mendes Pinto, Damião de Góis, Garcia de Orla, Duarte Pacheco Pereira, João de Barros.
Referência:
SECCO, Carmen Lúcia Tindó Ribeiro. Literaturas Africanas. Rio de Janeiro: UFRJ, 2006.
Depoimento de Mia Couto sobre literatura e ser escritor:
http://www.youtube.com/watch?v=SzNedHwwPmI
http://www.youtube.com/watch?v=SzNedHwwPmI
Hoje o post será sobre um escritor moçambicano muito conhecido no mundo todo, esse escritor é Mia Couto.
Mia Couto é moçambicano, o tom de cor de sua pele é branco, e seus olhos são de cor azul. Isso se explica pela sua origem, filho de emigrantes portugueses, Mia Couto nasceu em Beira, Moçambique, em 1955. Aos 14 anos, teve suas poesias publicadas em um jornal local. Fez toda educação primária em sua cidade, Beira. Em 1971, deixou sua cidade natal para estudar Medicina em Lourenço Marques (atual Maputo). Ligado ao movimento que queria tornar Moçambique independente do regime português (Moçambique durante muito tempo sofreu com o colonialismo de Portugal, libertando-se apenas em 1975), Mia Couto entra para a Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO). Quando Moçambique se torna independente, interrompe seus estudos em Medicina e começa a trabalhar como jornalista, assim como o seu pai. Em primeiro instante no jornal "A Tribuna", nesse mesmo momento tornou-se diretor da Agência de Informação de Moçambique (AIM). Participou também da revista "Tempo" até 1981, depois foi para "Notícias" até 1985. Nessa mesma época, entrou para a Universidade Eduardo Mondlane e iniciou o seu curso de Biologia. Em 1983, lança seu primeiro livro de poesias "Raiz de Orvalho", que, segundo o autor, é uma espécie de contestação a literatura militante e panfletária da época. Esse livro viria a ser publicado em Portugal apenas 1999.
Depois lançou "Vozes Anoitecidas" em 1986, esse livro de contos foi premiado pela Associação de Escritores Moçambicanos. Em 1992, publicou seu primeiro romance "Terra Sonâmbula", romance pelo qual tornou-se mais conhecido. Ainda exercendo a profissão de biólogo nunca abandonou a escrita. Em 1999 ganhou o prêmio Vergílio Ferreira pelo conjunto da obra, um dos mais conceituados da literatura portuguesa. Em 2001, recebe outro prêmio, o Prêmio Literário Mário Antônio, que distingue autores de países que falam a língua portuguesa e do Timor - Leste. Esse prêmio é atrbuido a Fundação Calouste Gulbenkian, e Mia Couto o recebeu pelo livro "O Último Voo do Flamingo" publicado em 2000. Ganhou outros diversos prêmios, o mais recente foi o Prêmio Eduardo Lourenço, por sua contribuição para a cultura portuguesa e ibérica. Seu último livro publicado no Brasil pela editora Companhia das Letras, foi em 2009, cujo título é "Antes de Nascer o Mundo". Também ocupa a cadeira número 5 na Academia Brasileira de Letras, eleito como sócio correpondente em 1998. Além de ser diretor de a Avaliação de Impacto Ambiental, IMPACTO, Ltda, empresa de estudos de impactos ambientais em Moçambique. E, ainda é professor de ecologia em diversos cursos na Universidade Eduardo Mondlane. Abaixo um depoimento do próprio escritor sobre ser escritor e literatura:http://www.youtube.com/watch?v=SzNedHwwPmI
Material postado por Thiago Calago (Aluno do 6º período do Curso de Letras da FEUC)
Resumo
“ A cultura dos remanescentes de quilombos: os Quilombolas.”
Os quilombolas são os remanescentes dos quilombos que fugiram do cativeiro para regiões isoladas, em busca de liberdade e em resistência a escravidão. A cultura dos quilombolas, apesar de ainda ser desconhecida, é rica em conservar práticas de vivência por gerações. Produzem o seu próprio sustento, cultivando nas terras em que vivem o seu alimento, trabalham incansavelmente no plantio, e ainda tecem com palhas de bananeiras produtos artesanais. Suas tradições religiosas, seus conhecimentos científicos, sua visão de mundo, sua cultura vai muito além do estereótipo de “ escravos fugidos”. Um passado de luta por uma autonomia fez doa quilombolas símbolo de esforço e persistência, pois ainda hoje, em pleno séc.XXI , os quilombolas continuam vivendo em resistência a qualquer jugo político-social. Porém, os obstáculos que se interpõem para eles ainda são grandes, as questões de problemas de acesso à água potável, saneamento básico, construção de hidrelétricas, reconhecimento judicial de posse das terras, direito à educação escolar, saúde, enfim, geram maiores dificuldades para os quilombolas viverem, e voltamos a rever o tempo, em pleno séc. XXI.
Comentário sobre o modo de viver dos remanescentes quilombolas, por Fabíola Fernandes Costa.
Os remanescentes quilombolas são exemplo de luta, força e persistência para todo o povo brasileiro. Eles são em parte a essência do povo brasileiro, pois se doaram e se doam em nossas terras muito mais do que qualquer um de nós. Refletir no modo em que vivem os remanescentes, me faz pensar no país democrático em que vivemos, pois ainda hoje, passadas gerações e gerações muitos quilombolas ainda não receberam pela justiça a legalização de posse de suas terras. Terras onde vivem, onde moram, onde casam, onde comem. Não sei se a dignidade de viver implicaria nisso, mas sei que é um absurdo a educação básica escolar não chegar até eles. Os quilombolas são a história do Brasil, e como podem ser tão esquecidos pela sociedade brasileira e pelas autoridades constituídas justamente para distribuir igualdade sobre um país. Mesmo que para eles não haja talvez diferença, pois ainda gostam de viver nas terras dos quilombos. Nós que estamos na cidade, não podemos restringi-los a receberem os avanços tecnológicos e conhecimentos gerais que todos os brasileiros têm direitos. Eles não têm obrigação de sair dos quilombos e deixaram tudo o que construíram, nós é que devemos chegar lá, e oferecê-los o que é de direito.
Fabiola Fernandes Costa (Graduanda da FEUC em Letras 6º período.)
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
http://www.cananet.com.br/história/database/artigo/artigo 103.html
RESUMO:
A Cultura dos remanescentes de quilombos: “Os Quilombolas”.
Os quilombos eram locais muito afastados, isolados onde eram formadas pequenas comunidades compostas por escravos fugidos. Atualmente a cultura dos remanescentes de quilombos é muito fiel à cultura originada no século XIX. As moradias permanecem em locais de difícil acesso, as mulheres cuidam da casa, alimentação e dos filhos, enquanto os homens vão para a roça cuidar do cultivo de alimentos, pesca, que é o modo de sustento de toda sua família.
Pelo fato de preservar sua cultura longe da sociedade das grandes cidades, os quilombolas têm uma vida simples, com alimentação e sustento vindos da terra onde vivem. Pela falta de contato frequente com a cidade grande, os remanescentes de quilombos falam um português de difícil compreensão para aqueles que não são habituados com o seu dia-a-dia. O que caracteriza, portanto, o quilombo não é o isolamento ou a fuga, visto que hoje não acontecem mais as perseguições aos negros, e sim a resistência e a autonomia.
COMENTÁRIO:
O modo de viver dos remanescentes quilombolas por Anderson De Paula
Como observamos, nos dias atuais, a cultura dos remanescentes é muito viva. Vista por uma sociedade com cultura diferente, o modo de viver dos remanescentes pode nos parecer uma cultura sofrida, apesar de acreditar que a cultura de um povo não pode ser julgada, ou por em questão aquilo que um povo acredita.
Pensamos que, nos dias atuais, os remanescentes poderiam se aproximar da população da cidade, visando obter certos benefícios e qualidade de vida para seu grupo, como um pouco mais de conforto e desenvolvimento. A educação seria um aspecto a ser discutido, uma vez que com o distanciamento do grupo o processo educacional é comprometido. Essa divagação a respeito da aproximação dos quilombolas com a cidade é muito sensível, uma vez que envolveriam diversos fatures como a questão da regularização fundiária e o próprio conflito de culturas que poderiam acontecer.
Anderson De Paula (Graduando da FEUC em Letras 6º período.)
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Os grupos étnicos conhecidos como comunidades remanescentes de quilombos " Quilombolas" são constituídos pelos descendentes dos escravos negros.
Eles ocupam um território e compartilham características culturais até os dias de hoje.
Constituíram uma grande diversidade de processos, como as fugas e ocupação de terras. Geralmente isoladas, conquistaram também terras por meio de heranças, por doações, pagamento por serviços prestados e também por permanência nas terras onde cultivavam e ocupavam dentro de grandes propriedades, isso durante a vigência do sistema escravocrata e até mesmo depois da abolição.
COMENTÁRIOS:
A característica do quilombo era resistência e a autonomia. A história dos quilombos conta que não existem só no Brasil mas também em outros países da américa do Sul como Colômbia, Equador e outros da América Central, como a Nicarágua, e outros que são conhecidos como crioles e garifunas.
Não existe um levantamento oficial sobre o número de comunidades quilombolas existentes no Brasil.
As comunidades quilombolas vieram de uma para outra, suas manifestações culturais, entre outros estados como a Bahia, Minas Gerais, Paraoriximiná, Pará, Rio de Janeiro e São Paulo.
Os territórios Quilombolas, as terras conquistadas pelos escravos são um legado transmitido de geração a geração.
Os territórios das comunidades, atualmente, são conhecidos como renascentes de quilombos ou quilombolas.
Roberta Mendes de Oliveira (Graduanda da FEUC em Letras 6º período.)
Referências Bibliográficas:
Comunidades Quilombolas no Brasil, semana da consciência negra.
http//www.geografia
A Cultura quilombola.
O Brasil, como ex colônia portuguesa, traz em sua história uma mancha de sangue marcada pela cultura escravista trazida de Portugal pelos nossos colonizadores.
Os negros trazidos de África como escravos representavam maior resistência aos senhores fazendeiros que os mulatos nascidos em território brasileiro, no entanto, indiferentemente da origem, o negro escravo sempre manteve em seu íntimo o desejo de luta pela liberdade. Essa constante luta pela liberdade levou muitos desses escravos a fugirem das fazendas. Os escravos fugitivos que não eram recuperados embrenhavam-se pelo mato e se escondiam em territórios isolados, de acesso difícil. A opção por esses locais isolados não era inocente. Refugiavam-se em meio a floresta, pois era uma das poucas formas de protegerem a liberdade que conquistavam pela fuga.
A criação dessas ilhas de proteção entranhadas mata a dentro originou os Quilombos.
Os quilombos, durante o período imperialista, representavam um sonho de esperança e liberdade. Esses quilombos, hoje são comunidades rurais mantidas por descendentes de escravos que vivem segundo um ideal de apoio mutuo entre eles.
Mesmo estando isolados do convívio social com o restante da sociedade brasileira, os quilombos não estão desprovidos de cultura e conhecimento. O povo quilombola tem um profundo conhecimento sobre plantas medicinais, manejo sustentável da terra entre outros. Sua cultura é enriquecida com histórias e lendas transmitidas de uma geração à outra por tradições orais. As histórias do povo negro, da luta, do sofrimento e da libertação são cantadas nas rodas de Ki Zomba.
Para o povo quilombola a terra em que vivem representa todo um passado de luta e esperança e faz parte da cultura quilombola o respeito a terra. Para esse povo, sua terra é preciosa e precisa ser preservada. Eles não vêem a terra como bem material passível de venda. É a terra que lhes prove a vida e a existência.
Mesmo sendo um povo carente de recursos e tendo o acesso à educação e à saúde limitados pelas dificuldades, a cultura dos quilombolas é rica e sua história também é nossa história e faz parte da história brasileira.
Comentários sobre o modo de viver dos remanescentes quilombolas, por Cintia de Faria da Silva.
Fica visível a carência os quilombos, porém por outro lado podemos ver o amor pela terra por direito conquistada por gerações anteriores, o respeito pela história e pela natureza, visto que alguns dos territórios quilombolas tem uma taxa de desmatamento inferior a 20%.
É admirável o carinho, o manter a família, o desenvolvimento de uma cultura, o reconhecimento da história, os meios de vida simples sem se deixar levar pelo progresso e pelo capitalismo exagerado dos dias atuais, mesmo vivendo em condições tão precárias.
É dever do governo prover e implementar políticas que permitam o desenvolvimento e a existência das comunidades, no entanto, desenvolver sem romper com a cultura.
Cintia de Faria da Silva. (Graduanda da FEUC em Letras 6º período.)
REFERÊNCIAS:
HTTP:// www.geografia.seed.pr.gov.br
Revista USP. São Paulo, nº 68 p. 104-111. Dezembro/ fevereiro 2005-2006.
HTTP:// www.pucsc.br/revistanunes
Revista Nunes nº 13. Setembro/dezembro de 2009. Etinicidade e religiosidade de Olaria, em Irará (BA).
Comunidades quilombolas no Brasil
(Áudio e vídeo)
A Cultura dos remanescentes de quilombos: os quilombolas
Os remanescentes de quilombos: os quilombolas, preservam ainda um pouco da cultura de seus antepassados, mas isso acontece com mais força no que diz em relação ao trabalho.
O modo como trabalham ainda é muito ligado ao modo como os “antigos” faziam. Pesca, agricultura e artesanato são as principais fontes de renda da comunidade, não se voltando para nenhuma outra atividade de trabalho, a não ser estas mais “rústicas”.
No que diz respeito a festas religiosas, danças, acabou-se perdendo um pouco a força, isso se deve muito em conta aos jovens, que, sendo os principais que poderão dar continuidade a tais tradições, não o fazem. A educação ainda é muito precária nas comunidades, o que faz com que os jovens necessitem sair para avançar em seus estudos. E, no momento em que esses jovens saem de suas comunidades, a identidade se perde, se fragmenta. Muitos habitantes antigos percebem e querem “resgatar essa cultura”, mas veem nisso um empecilho para que as tradições permaneçam.
Comentários sobre o modo de viver dos quilombolas, por Thiago Calago Lima
Tecer qualquer tipo de comentário acerca do modo de viver dos remanescentes quilombolas é complicado. Complicado porque são culturas diferentes, são modos de ver a vida diferentes, mas pode haver uma tentativa.
Um ser “urbanoide” ao ler, ter contato com tal modo de viver leva um choque, e se pergunta: como eles podem viver assim?
Seja pelo isolamento, seja pela maneira rústica como nutrem sua fonte de renda, o espanto é causado.
Para poderem continuar com suas tradições é preciso isolar-se do mundo “exterior”. O que complica o avanço na maneira de pensar e agir, pois o que pode vir de fora, pode “conturbar” o de “dentro”, a identidade pode se perder, a tradição pode acabar, e nisso existe um impasse.
Sair da comunidade e conhecer novas formas de viver e ver a vida, ou permanecer r manter a tradição? A resposta para tal pergunta alguns quilombolas podem dar, mas muitos permanecerão na dúvida.
Referências Bibliográficas:
http://www.cpisp.org.br/comunidades/html/i mulheres - html
http://www.cpsip.org.br/comunidades/html/i oque. Html
http://www.estadao.com.br/noticias/nacional/ nacional, saiba-mais-sobre-remanescentes-de-quilombos existentes-no-pais, 272414, 0. Htm
http://www.cpsip. org.br/comunidades/html/I brasil pe. Hmtl
Thiago Calago Lima 6° período Português/ Literaturas – FEUC
AS COMUNIDADES QUILOMBOLAS
Paulo Roberto de Ataíde (FEUC)
Norma Maria J. da Silva / Orientadora (FEUC / SEEDUC)
1 – RESUMO
A Cultura Afro-Brasileira está em nossas vidas desde que os negros foram trazidos da África e, faz parte da cultura de nosso povo e de nossos costumes.
As comunidades Quilombolas são comunidades organizadas que vivem em territórios onde o governo brasileirodelimitou suas terras e, deu o direito a elas;essas comunidades estão organizadas, apesar das dificuldades que enfrentam. Atualmente, as políticas públicas resguardam e valorizam a Cultura Quilombola, preservando-as para que se mantenham e passam a preservar a sua história e cultura, para que os jovens e crianças não percam os seus costumes que são passados de pais para filhos.
Há a necessidade de garantir o direito à terra dessas comunidades, escolas para as crianças, porque mesmo vivendo isolados, o governo precisa dar os mesmos direitos de cidadania a todos.
2 – CRÍTICA
Não podemos falar de direitos humanos, sem citar a convivência das sociedades que são diferentes nos seus costumes e forma de vida.
A partir da Constituição Federal de 1988, os Quilombolas tiveram suas terras reconhecidas, através do Artigo 68 (ATO DAS DISPOSIÇÕES CONSTITUCIONAIS TRANSITÓRIAS(ADCT). O Decreto 4887/2003 concedeu aos Quilombolas como critério para identificação das suas comunidades, fundamentado na Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT). (O Decreto 4887/2003 identifica assim essas comunidades.).
A Organização Internacional do Trabalho (OIT) deu aos povos indígenas e tribais, garantia fundiária e regularizou as terras ocupadas por essas comunidades. Garantiu assim, a convivência do povo Quilombola no seu âmbito social, econômico e cultural. Os Quilombolas ainda são povos desconhecidos pela sociedade brasileira, porém, isso faz com que tenham visibilidade. O governo identificando-os como comunidades organizadas, dá a esses povos a segurança de preservarem seus costumes e suas diversas expressões culturais.
Desde o Censo Escolar de 2007, o Brasil identificou, aproximadamente, 151 mil alunos em 1253 escolas localizadas em comunidades quilombolas, estando quase 75% delas concentradas na região Nordeste. Poucas comunidades têm unidade educacional com o ensino fundamental completo. Assim sendo, não serão esses povos mais aculturados e sem memória histórica, mesmo vivendo com precariedade e pouca condição social.
REFERÊNCIAS:
Disponívelem:<http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar/index.php?option=com_content&view=article&id=857&Itemid=1>. Acesso em: 03 abr. 2013.
Disponívelem:<http://educador.brasilescola.com/politica-educacional/comunidades-quilombolas.htm>. Acesso em: 03 abr. 2013.
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