quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Comunidade Quilombola no Brasil


Fundação Educacional Unificada Campograndense

Faculdades Integradas Campo- Grandenses

Aluna: Ana Paula Rangel Corrêa.  Matrícula: 14010032

Curso: Português- Literaturas

Período: 7º  Turno: noite   Disciplina: Literaturas Africanas em Língua Portuguesa

Professora: Norma Maria Jacinto da Silva

 

Título: Comunidade Quilombola no Brasil

Direito a terra, conseguiram ter direito de morar nas terras por eles ocupadas, servindo como alicerce para o desenvolvimento das comunidades;

Estrutura local, baseada nos rumos, recursos naturais locais, com visão na sustentabilidade que o ambiente lhe oferece com economia própria;

Participação social, garantia o direito em diferentes órgãos públicos, gerando a participação ativa dos representantes locais dos quilombolas.

sexta-feira, 14 de novembro de 2014


Fundação Educacional Unificada Campograndense
Aluna: Camila Macedo Gomes – 6º Período
Curso: Letras              Disciplina: Literaturas
Professora: Norma
 
2- Relação entre os quilombolas e a população negra de um modo geral.
    Assim como os negros que caracterizam a grande parte da nossa sociedade inserida nos grandes centros, os quilombos ostentam um histórico de constantes lutas que hoje marcam a sua independência, garantem o seu espaço.
    Porém, a questão que diverge a comunidade de Quilombos da nossa população negra, são os interesses. O primeiro, busca sua autonomia de um modo totalmente abrangente; seja na cultura, na economia ou religião. Já o segundo, conquistou a sua liberdade dentro da dependência sob a qual vive mediante a imposição da sociedade; ou seja, não plantam, não colhem e não constroem para sobreviver.
    Pode-se citar como exemplo a questão da educação. Os negros, na sua generalidade, mostram-se tão capacitados quanto aos brancos para o ingresso em uma faculdade, uma boa formação acadêmica e até mesmo para o ingresso em altos cargos dentro do mercado de trabalho. O que diverge, em muito, dos quilombolas, que tem a sua formação educacional comprometida pela precariedade de recursos.
 
3- Ponto relevante na pesquisa (argumentação).
    O reconhecimento das dificuldades vividas por um povo tão rico em cultura, em meios de sobrevivência e em zelo; porém ainda tão desconhecido por um povo que teria muito a aprender com eles.
    O respeito aos mais velhos, detentores da grande proporção do conhecimento, o esforço para adquirir algo, a humildade, a reverência; são alguns aspectos que somente em lugares como estes, podemos encontrar dentro do Brasil.

Professora: Norma Maria.

Trabalho Quilombolas.

Resumo por esquema

Títulos – As comunidades Quilombolas.

  • As Comunidades Quilombolas são grupos étnicos que são formados por uma população negra, que vive na zona rural.
  • Aos remanescentes da comunidades dos quilombos que estejam  ocupando suas terras é reconhecida a propriedade definitiva, devendo o estado emitir-lhes os respectivos títulos.
  • Desde modo, a comunidade remanescente de quilombos  são grupos sociais cuja a identidade étnica os destinge  do restante da sociedade.
     
    A relação entre quilombolas e a população Negra.
    Os quilombolas, certamente são referencias, de zumbi dos palmares.Quilombola seria uma forma de ser rebela contra esse sistema, seria onde os negros iriam ser esconde e ser isola do restante da população; são pessoas simples e humildes que não se relacionam com a população e que prefere a zona rural.
    Já os Negros,tem relação  direta com a vida urbana freqüentando assim as cidades e todo  o seu desenvolvimento.
    Ponto relevante  na pesquisa ( a argumentação ).
    Que seja reconhecidas, as comunidades dos quilombolas  em que estejam ocupado suas terras  e reconhecida a propriedade definitiva devendo o estado emiti-lhes as respectivos títulos.
    Tendo assim o reconhecimento de suas propriedades.
     
     
    Aluna: Andrea Francisco Da Silva.
    Matricula: 1100273
    5°Período
     

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Em breve, postaremos mais textos.

Fundação Educacional Unificada Campograndense

Faculdades Integradas Campo- Grandenses

Aluna: Ana Paula Rangel Corrêa.  Matrícula: 14010032

Curso: Português- Literaturas

Período: 7º  Turno: noite   Disciplina: Literaturas Africanas em Língua Portuguesa

Professora: Norma Maria Jacinto da Silva

 

Título: Comunidade Quilombola no Brasil

Direito a terra, conseguiram ter direito de morar nas terras por eles ocupadas, servindo como alicerce para o desenvolvimento das comunidades;

Estrutura local, baseada nos rumos, recursos naturais locais, com visão na sustentabilidade que o ambiente lhe oferece com economia própria;
Participação social, garantia o direito em diferentes órgãos públicos, gerando a participação ativa dos representantes locais dos quilombolas.

FUNDAÇÃO EDUCACIONAL UNIFICADA CAMPOGRANDENSE – FEUC 

 

 ALUNA: AMANDA PEREIRA -5°Período de Letras/Literaturas

PROFª-NORMA JACINTO.

LITERATURAS AFRICANAS DE LINGUA PORTUGUESA

TRABALHO

RESUMO POR ESQUEMA

  1. A vida dos quilombolas no Brasil.

Trabalhos apresentados por alunos da FEUC







Fundação Unificada Campo-grandense.

Professora: Norma Maria.

Aluna: Aline Marinho Andrade de Paula.  Matrícula: 120221-6

Curso: Letras/Literaturas do 6º período.

 

Quilombolas

Realidades e principais pontos:

 

*Quilombolas são os atuais habitantes de comunidades negras rurais formadas por descendentes de africanos escravizados.

*Principais lutas dos quilombolas atuais são pela posse da terra.

*Comunidades quilombolas, diversos problemas de infraestrutura e qualidade de vida.

 

Referências bibliográficas:

GASPAR, Lúcia. QuilombolasPesquisa Escolar Online, Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em: <http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar/>. Acesso em: dia mês ano. Ex: 6 ago. 2009.





                 Textos apresentados pelos alunos da disciplina de Literaturas Africanas (FEUC).





 Aluno: Alfredo dos Santos Anjos                            Matrícula:                                   110956-2      


      Curso: Letras /Literaturas                                        Disciplina: Lit. Africana e Lit. Portuguesa.


      Professora: Norma                                                   Data: 29 de agosto de 2014            


  1. - RESUMO POR ESQUEMA
     TÍTULO: A LEITURA DOS DESCENDENTES AFRICANOS E A PRESERVAÇÃO DOS
COSTUMES
                                                
         - A liberdade e a história dos antepassados, criam limitações e inviabilizam a inclusão.


         - Os costumes e o isolamento, incompatibilizam os Quilombos à inclusão na sociedade moderna.


         - Os quilombolas não querem abrir mão de uma vida isolada nas comunidades organizadas em suas terras afastadas da sociedade moderna; preferem morrer.


        - Tanto os povos africanos, quanto os brasileiros descendentes, quando isolados em comunidades quilombolas acabam por transgredirem normas da sociedade moderna, afetando negativamente outras pessoas, e tornam-se antissociais. Isso visto aos olhos da sociedade moderna.


         - O isolamento e a falta de convívio transformam os quilombolas, em pessoas intolerantes aos costumes dos homens da cidade moderna.


         - A vida em Quilombo promove o isolamento dos cidadãos, e torna-os incapazes de submeterem-se ao sistema hierárquico em que vive a sociedade.
  1. - RELAÇÃO ENTRE OS QUILOMBOLAS E A POPULAÇÃO NEGRA DE UM      MODO GERAL
          A população negra de um modo geral, mesmo conservando os costumes herdados dos ancestrais, são capazes de conviver com a sociedade moderna. Observamos que a busca pela informação, igualdade dos direitos, atualização dos costumes, visando um convívio agradável, capaz de construir uma sociedade saudável. Já os quilombolas, não conseguem socializar-se com os que não são membros do quilombo. Eles são acanhados, limitados de expressão pela timidez, falam pouco, fogem do diálogo, e por fim se escondem.

domingo, 12 de outubro de 2014

sábado, 7 de junho de 2014


     

       CANTIGA DA CATIVA

       Eu sou a pobre cativa
        A cativa d’além-mar.
        Eu vago em terra estrangeira.
        Ninguém me quer escutar;

        Tu que vais a longes terras,
        À viageira andorinha,
        Vai dizer à minha mãe,
        Que eu vivo triste e sozinha.

        Mas diz à pobre que espere,
       Que o Vento me há de levar
       Quando eu morrer nesta terra,
       Para as terras de além-mar.



A canção do africano

Lá na úmida senzala,
Sentado na estreita sala,
Junto ao braseiro, no chão,
Entoa o escravo o seu canto,
E ao cantar correm-lhe em pranto
Saudades do seu torrão ...


De um lado, uma negra escrava
Os olhos no filho crava,
Que tem no colo a embalar...
E à meia voz lá responde
Ao canto, e o filhinho esconde,
Talvez pra não o escutar!


Minha terra é lá bem longe,
Das bandas de onde o sol vem;
Esta terra é mais bonita,
Mas à outra eu quero bem!


0 sol faz lá tudo em fogo,
Faz em brasa toda a areia;
Ninguém sabe como é belo
Ver de tarde a papa-ceia!


Aquelas terras tão grandes,
Tão compridas como o mar,
Com suas poucas palmeiras
Dão vontade de pensar ...


Lá todos vivem felizes,
Todos dançam no terreiro;
A gente lá não se vende
Como aqui, só por dinheiro".


O escravo calou a fala,
Porque na úmida sala
O fogo estava a apagar;
E a escrava acabou seu canto,
Pra não acordar com o pranto
O seu filhinho a sonhar!


............................


O escravo então foi deitar-se,
Pois tinha de levantar-se
Bem antes do sol nascer,
E se tardasse, coitado,
Teria de ser surrado,
Pois bastava escravo ser.


E a cativa desgraçada
Deita seu filho, calada,
E põe-se triste a beijá-lo,
Talvez temendo que o dono
Não viesse, em meio do sono,
De seus braços arrancá-lo!

 Castro Alves
 Livro: A era da escravidão/ Organizado por Luciano Figueiredo.- Rio de Janeiro: Sabin, 2009.
Material postado por Itaciane Kaline (Aluna do 6º período do Curso de Letras - FEUC)
Contexto histórico dos países africanos de língua portuguesa 
ANGOLA


Situada na África Ocidental, banhada pelo Oceano Atlântico, numa extensão de 1600 km, a República de Angola compõe-se, em termos de território, em duas partes, separadas por uma pequena porção de terra, sendo a menor constituída pelo enclave de Cabinda, com área de 7680 km . O território angolano, na sua totalidade, tem uma superfície de 1.259.000 km2 e sua população aproximada é de 10 milhões de habitantes. A capital do país é Luanda.
Apesar de a língua oficial ser a portuguesa, no território coexistem nove grupos etnolingüísticos diversos, o que resulta em um grande número de línguas nacionais falada pelos habitantes do país.
A chegada portuguesa a Angola data de 1482, com a expedição de Diogo Cão. A resistência ao colonizador português sempre se fez sentir no território, sendo digna de menção, entre outras figuras, a rainha Nzinga que, no século XVII, chegou a realizar alianças com os holandeses, que haviam invadido Angola, para tentar derrotar os portugueses.
A opressão colonial foi intensa e o dia 4 de fevereiro de 1961 marca o início da luta armada de libertação contra o jugo português, quando nacionalistas com armas toscas atacaram as prisões de Luanda, tentando libertar companheiros presos. A independência do país ocorreu a 11 de novembro de 1975 e seu primeiro presidente foi Agostinho Neto, na época dirigente do MPLA (Movimento Popular pela Libertação de Angola), partido fundado em 1956.
A pós-independência de Angola foi bastante conturbada. Passada a euforia da libertação, travou-se uma guerra de desestabilização fratricida. A UNITA (União Nacional para a Independência Total de Angola), liderada por Jonas Savimbi, se opôs ao governo do MPLA, apoiada inicialmente pela África do Sul, então sob governo racista, e pelos Estados Unidos. Esse confronto sangrento se arrastou por quase 30 anos. Em 1992, Savimbi concorreu às eleições para a presidência da República do país e, tendo perdido para José Eduardo dos Santos, do MPLA, intensificou novamente a guerra interna, que ceifou numerosas vidas e destruiu o território angolano.
Angola hoje vive uma situação de paz, depois da morte de Jonas Savimbi, em fevreiro de 2002, e do cessar-fogo, em 4 de abril de 2002. Entretanto, a situação é muito complexa: as feridas da guerra deixaram cicatrizes profundas e o neoliberalismo lança seus tentáculos também sobre a África, principalmente Angola. País rico, produtor de diamantes e petróleo. A guerra findou, mas um neocolonialismo, comandado pelo FMI e pelo Banco Mundial, cria novas relações de dependência e opressão.

Referência bibliográfica

SECCO, Carmen Lúcia Tindó Ribeiro. Literaturas Africanas. Rio de Janeiro: UFRJ, 2006.

CABO VERDE
         Em suas navegações, os portugueses, ao se defrontarem com a ponta mais ocidental da África, onde hoje está a cidade de Dakar, capital do Senegal, ficaram impressionados com a sua verdura e resolveram batizar o local de Cabo Verde. Poucos dias depois, ao encontrarem em frente um arquipélago, deram-lhe o mesmo nome. Cabo Verde é formado por dez ilhas e vários ilhéus. Suas principais ilhas denominam-se Santiago e São Vicente e possuem como capitais, respectivamente, Praia e Mindelo, sendo a primeira também a capital de Cabo Verde. O país encontra-se situado no Oceano Atlântico, a 455 km do continente africano.  Com uma área total de 4. 003 km, Cabo Verde é formado por dois grupos de ilhas: o do Barlavento, ao norte, com as ilhas de São Vicente, São Nicolau, Santo Antão, Santa Luiza, Boa Vista e Sal, além dos ilhéus Pássaros, Branco e Raso, e o grupo do Sotavento, ao Sul. Com as ilhas de Santiago, Maio, Fogo, Brava e os ilhéus de Santa Maria, Luís Carneiro, Sapado, Grande e Cima.
         Os ilhéus de Cabo Verde são quase todos desabitados e a maior parte das ilhas sofre com secas e ventos fortes soprados do Leste – as “lestadas” – que provocam flagelos e fome. Tais males não são conseqüências apenas do clima semidesértico e do terreno árido, mas também da antiga exploração do solo, com o cultivo do algodão, indigo, sisal, além da criação de cabras. Esse abuso da terra cabo-verdiana acarretou em seu rápido empobrecimento e degradação. Devido à significativa miséria, os cabo-verdianos estão sempre em retirada, deslocando-se para outras ilhas ou outros países em busca de melhores condições de vida. É nesse contexto que se enraíza o dilema “querer ficar e ter de partir” caracterizador da alma cabo-verdiana.
         A economia das ilhas é quase que essencialmente agropecuária, com exceção da ilha de São Vicente (em virtude do porto marítimo) e da ilha do Sal (em razão das salinas e do aeroporto internacional, que, juntamente com a presença de hotéis de categoria internacional, proporciona o turismo). Quanto à agricultura, cultiva-se principalmente o milho, base do prato típico de Cabo Verde, a catchupa.
Existem dúvidas a respeito dos “descobridores” do território insular de Cabo Verde. Contudo, é certo que quando os portugueses lá aportaram por volta de 1460, numa esquadra comandada por Diogo Gomes, as ilhas eram desabitadas. O arquipélago foi povoado, então, por portugueses vindos das ilhas da Madeira e dos Açores e, principalmente, por negros de diferentes etnias trazidos da Guiné-Bissau e do Senegal, o que resultou em intensa mestiçagem. Até hoje observa-se uma heterogeneidade cultural em se tratando das várias ilhas do arquipélago. Quanto ao aspecto lingüístico, a miscigenação teve como conseqüência o surgimento de um falar de emergência, o pidgin cabo-verdiano, que mais tarde se transformou no crioulo de Cabo Verde (um crioulo de base portuguesa).
         Os portugueses e africanos que para Cabo Verde foram levados trabalhavam, na maioria das vezes, em plantações de tabaco, café e cana-de-açúcar. Por longo tempo, este arquipélago serviu apenas de entreposto comercial, parada obrigatória para os navios que tinham como destino as Índias ou as Américas. Lá se abasteciam de alimentos e, mais tarde, de escravos. Assim, durante quatro séculos, tal colônia teve um desenvolvimento peculiar, que resultou em sua cultura mestiça, oriunda do cruzamento europeu e africano.
         Somente por volta de 1850 é que, findado o tráfico negreiro, Portugal se voltou para colonizar o arquipélago, criando a imprensa, fundando liceus e impondo a língua portuguesa como idioma oficial. Não obstante, o linguajar crioulo já se encontrava enraizado nessa época e, portanto, continuou a existir à margem do sistema. Enquanto a língua portuguesa era usada nas escolas e em repartições públicas, falava-se crioulo no dia-a-dia. Esse bilingüismo persiste até os dias atuais.
         Desde os tempos coloniais, a miséria e a fome em Cabo Verde não foram combatidas, dado que se mostravam fatores positivos aos olhos do colonizador. Os retirantes da fome ou iam para Mindelo, se tornando escravos, ou partiam para as roças de São Tomé e Príncipe como contratados, enriquecendo, assim, as elites de Cabo Verde e de São Tomé que viviam desse tipo de escravidão dentro da própria África.
         O colonialismo português nunca foi pacificamente aceito pela população do arquipélago, tendo a luta colonial se realizado de várias maneiras. No nosso século, por exemplo, antes da Segunda Guerra Mundial, sobretudo nos anos 20 e 30, elaborou-se uma ação “legal” através da imprensa e associações, no sentido de denunciar os abusos, arbitrariedade e injustiças cometidas pelos agentes e representantes das autoridades coloniais. Depois da Segunda Guerra Mundial, começou a desenhar-se uma nova etapa da luta, em que se combinaram os métodos “legais” com a atividade clandestina. Dessa forma, a 19 de setembro de 1956, Amílcar Cabral fundou o PAIGC (Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde), que atuou intensamente na guerra de libertação. Amílcar foi o grande líder revolucionário de Cabo Verde e Guiné-Bissau. Nascido   na   Guiné,   filho   de  pais  cabo-verdianos,  era  engenheiro  agrônomo,  poeta  e  pan--africanista. Comandou a prolongada luta política e armada pela independência tanto de Cabo Verde como da Guiné-Bissau.
         Em 1957, o escritor cabo-verdiano Maltazar Lopes da Silva publicou O Dialecto Crioulo de Cabo Verde, encabeçando o movimento de legitimação e padronização da língua crioula.
Em 3 de agosto de 1559, tropas portuguesas abriram fogo sobre trabalhadores em greve nas Docas de pidjiguiti, no Porto de Bissau, na Guiné-Bissau, matando mais de 50 pessoas. O PAIGC iniciou a luta armada de 13 anos pela independência. Em 1960, o Movimento de Poesia Revolucionária montou forte oposição ao colonialismo. Os poetas cabo-verdianos Ovídio Martins, Kaoberdiano Dambara, Corsino Fortes, Onésimo Silveira, Abílio Duarte e muitos outros usaram a sua poesia para levantar a consciência popular e o debate público sobre as condições coloniais e a necessidade de mudança.
         Em 20 de janeiro de 1973, Amílcar Cabral foi assassinado na Guiné-Conacri por agentes do Governo colonial. Em 24 de setembro de 1973, o PAIGC declarou a independência da República da Guiné-Bissau. Luís Cabral, irmão do falecido Amílcar, foi o primeiro presidente da Guiné-Bissau e de Cabo Verde. Mas, só em 5 de julho de 1975, a independência da República popular de Cabo Verde, separada da Guiné Bissau, foi reconhecida e proclamada em Praia. Aristides Maria Pereira foi eleito primeiro presidente da nação cabo-verdiana. Nascido na Boavista, trabalhou como administrador de telecomunicações na Guiné e foi membro fundador do partido. Após o assassinato de Amílcar Cabral, tornou-se secretário geral do PAIGC.
         Cabo Verde assumiu sua independência com menos de três meses de provisões de alimentos, medicamentos essenciais e com um setor privado muito fraco. O desemprego e as expectativas populares eram elevados. Diante das dificuldades, os cabo-verdianos, em geral, continuaram obrigados a estar sempre emigrando. Assim, após a euforia da libertação veio um forte desencanto.
         Em 1990, o Primeiro-Ministro Pedro Pires iniciou formalmente a “abertura” política, um movimento que iria proporcionar eleições multipartidárias em Cabo Verde. Estas se realizaram em 13 de janeiro de 1991. Em 1º de fevereiro do mesmo ano, António Mascarenhas Monteiro, antigo presidente do Supremo Tribunal de Cabo Verde, foi eleito Presidente da República.
         Em 1994, Cesária Évora, a célebre cantora cabo-verdiana conhecida pelos seus admiradores franceses, como a “Diva Descalça”, ganhou um prêmio por vendas superiores a 150. 000 CDs na França. O seu triunfo assinala a chegada de Cabo Verde à cena da “World music”.

         Embora a música cabo-verdiana afirme a identidade do arquipélago, hoje Cabo Verde também vive a ação transnacional  do capitalismo econômico, dominado pelo FMI e pelo Banco Mundial. Muitos filhos das Ilhas continuam emigrando. Há uma quantidade bem significativa de cabo-verdianos nos Estados Unidos e no Canadá. Permanece, pois, na conjuntura contemporânea, o antigo dilema cabo-verdiano do “Ter de partir e querer ficar”.
SECCO, Carmen Lúcia Tindó Ribeiro. Literaturas Africanas. Rio de Janeiro: UFRJ, 2006.
SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE

         São Tomé e Príncipe é um país insular, localizado na costa Oeste africana, no Golfo da Guiné, a 300 km do Gabão. Banhado pelo oceano Atlântico, esse país é formado pelas ilhas São Tomé, Príncipe, por duas ilhas vulcânicas – Gago Coutinho (ou das Rocas) e das Cabras – e por penedos desabitados, denominados Pedras Tinhosas – Tinhosa Grande e Tinhosa Pequena. O país possui uma área de aproximadamente 1.001 km quadrados e uma população de cerca de 74.000 habitantes. Sua geografia é composta por belas praias e uma vegetação exuberante.
         Em relação à economia, pode-se dizer que, no passado, São Tomé e Príncipe viveu-se praticamente do açúcar, do café e do cacau. No momento atual, o país mantém-se agrário, sendo produtor de banana, coco, azeite de dendê, cacau. A pesca também é uma atividade de grande importância.
         Acredita-se que primeiramente João Santarém e posteriormente Pêro Escobar foram os primeiros portugueses a chegarem em São Tomé e Príncipe, respectivamente nas datas 21 de dezembro de 1470 e 17 de janeiro de 1471. Há controvérsias a respeito de ser o arquipélago, nessa época, habitado. Alguns historiadores afirmam que, no século XV, já viviam no Sul das ilhas de São Tomé e Príncipe etnias autóctones, que não tiveram contato com os portugueses na ocasião, porque esses ocuparam inicialmente apenas o Norte das ilhas.
         Foi somente em 1493, com as ilhas sendo entregue ao capitão donatário Álvaro Caminha, que se iniciou o povoamento da região. Foram enviados para São Tomé e Príncipe portugueses da ilha da Madeira, degradados lusos, alguns espanhóis (maior parte genoveses), crianças judias separadas dos pais e escravos oriundos da Guiné-Bissau, do Gabão, do Benin, do Manicongo, ocasionando intensa miscigenação. Assim, a população atual do arquipélago é predominantemente crioula. Sua língua oficial é o português, que convive com crioulos: o forro, o angolar, entre outros.
         Devido à existência de poucas mulheres brancas em São Tomé e Príncipe à época do povoamento, os portugueses passaram a relacionar-se com escravas africanas, no intuito de, com os frutos dessa união, povoar a região. Tal descendência veio a constituir o grupo étnico mais importante da ilha de São Tomé: os forros ou filhos da terra, considerados, na atualidade, os representantes são-tomenses. Esses e os angolares – descendentes de escravos angolanos vítimas do naufrágio de um navio negreiro por volta de 1546/1547 – são hoje os grupos étnicos existentes no arquipélago.
        A colonização em São Tomé e Príncipe se iniciou com plantações de cana-de-açúcar. A criação de engenhos para essas plantações trouxe a necessidade de mão-de-obra, suprida com negros escravizados. O mercado de escravos foi intensamente explorado no arquipélago desde 1500 até meados do século  XIX. As ilhas de São Tomé e Príncipe serviram de entreposto aos navios negreiros que iam da África para a América.
        O fim da escravidão no Brasil trouxe uma instabilidade econômica para São Tomé e Príncipe, que desde o fim do século XVI tinha como fonte de lucro o comércio escravo. Nesse momento, introduziu-se nas ilhas o cultivo do café e do cacau. O regime do contrato veio substituir a escravidão. Portugueses e forros, que formavam a elite do arquipélago, passaram a importar serviçais de outras regiões africanas, inclusive de colônias portuguesas, para trabalharem nas roças pelo regime do contrato. Tais serviçais eram chamados de contratados. Contudo, devido aos baixos salários e intensas obrigações, esses contratados acabavam numa relação de semi-escravidão. Tal regime de mão-de-obra só passou a ser contestado na primeira metade do século XX, quando se iniciaram os movimentos de valorização do negro – Renascimento Negro, Negritude. Estudantes africanos instalados em Lisboa e intelectuais africanos das colônias passaram a denunciar o tráfico negreiro e a opressão colonial.
         No ano de 1960 fundou-se o Movimento pela Libertação de São Tomé e Príncipe (MLSTP). A independência da colônia foi negociada em novembro de 1974 e proclamada em 12 de julho de 1975, na praça do povo, em São Tomé, capital das ilhas. Assumiu a presidência Manuel Pinto da Costa, eleito pela Assembléia Nacional, que foi constituída após a queda do governo português.
         Atualmente, o país é considerado um dos mais pobres do mundo, vivendo praticamente do plantio do cacau. Já em relação ao aspecto cultural, as variadas manifestações de música, dança, teatro devem-se à forte miscigenação havida na época do povoamento e colonização do arquipélago.

Referência bibliográfica
SECCO, Carmen Lúcia Tindó Ribeiro. Literaturas Africanas. Rio de Janeiro: UFRJ, 2006.
GUINÉ-BISSAU
      
   Situada na costa Ocidental africana, Guiné-Bissau é constituída de uma parte continental e de uma parte insular, esta separada do continente pelos canais Geba, Bolama, Pedro Álvares e Canhabaque. As ilhas da Guiné-Bissau formam o arquipélago de Bijagós. Destacam-se as de nome Formosa e Orango.
         Guiné-Bissau possui 36.125 km, contudo somente 28.000 se encontram emersos. O restante é periodicamente coberto pelas marés cheias. O país faz fronteira ao Norte com o Senegal; a Oeste, com o oceano Atlântico; e a Leste e Sul, com a Guiné. Em seu litoral desembocam quatro rios importantes: Cacheu, Mansoa, Geba e Corubal. Esses dois últimos são os maiores do território, e todos se unem num largo estuário, em cuja margem direita fica a capital do país: Bissau. A pesca aí é muito produtiva, dado o encontro de águas doces e salgadas, que propicia uma grande variedade de peixes.
         Guiné-Bissau serviu durante séculos de refúgio para numerosos povos africanos que sofreram invasões. Isso ocasionou no país uma complexidade étnica, lingüística e cultural enorme. Durante muito tempo acreditou-se que os povos da Guiné eram autóctones, todavia hoje se sabe que são originários do Saara. Os principais grupos étnicos existentes no país são os balantas, os fulas (fulbé ou peul), os manjacos, os papéis, os mandingas e os bijagós. Além dessas principais e de outras etnias, há também na população do país mestiços luso-guineenses e cabo-verdianos. Quando os portugueses chegaram à Guiné-Bissau, no século XV, com as viagens de Nuno Tristão (1444) e Álvaro Fernandes (1446), a região já era habitada por vários grupos oriundos do interior do continente, provavelmente do vale do Níger. Guiné-Bissau, desde a chegada dos portugueses até o final do século XIX, esteve muito ligada a Cabo Verde, servindo de entreposto comercial para o tráfico que transportava escravos para a América e para as ilhas cabo-verdianas.
         O país ficou conhecido por um tempo como Guiné de Cabo –Verde. O crioulo falado aí se estabeleceu como língua materna de um grande número de guineenses. Somente com a separação das duas colônias, em 1879, a Guiné-Bissau foi se individualizando.
         Embora o português seja o idioma oficial, a língua usada no dia-a-dia é o crioulo (o kriol guineenses), assim como ocorre em Cabo-Verde. O país apresenta diversos idiomas, devido à miscigenação ocorrida no passado. Entretanto, o crioulo é o conhecido por toda a população. Devido a isso, à época das guerrilhas, funcionou como instrumento de comunicação inter-étnica, de mobilização popular e de afirmação identitária.
         Por servir como colônia de comércio, Guiné-Bissau não recebeu investimento do governo para seu desenvolvimento. O primeiro jornal dirigido por um guineense foi o Comércio da Guiné (1930-31). A opressão colonial, no final dos anos 50 e início dos 60, causava fortes descontentamentos. Amílcar Cabral, em 1956, fundou o PAIGC (Partido Africano da Independência da Guiné e de Cabo Verde). Contudo, foi o massacre de 50 trabalhadores, ocorrido no cais de Pidjiguiti, em Bissau, a 3/8/1959, que desencadeou, em 1963, a luta pela libertação, que durou até 24 de setembro de 1973, quando foi proclamada a independência da República da Guiné-Bissau, em Boé, reconhecida pelos portugueses apenas em 5 de julho de 1975, ocasião em que Cabo Verde também se libertou do jugo colonial português.
         Após o reconhecimento da libertação da Guiné-Bissau, foi instalado um Conselho de Estado, cujo presidente foi Luís Cabral. O PAIGC, até então, constituíra-se como o único partido reconhecido. Em 14/11/88, um golpe de estado aboliu a Constituição e levou ao poder o “Conselho da Revolução”, presidido por João Bernardo Vieira (“Nino Vieira”), que se destacara como comandante guerrilheiro durante a guerra de libertação.
         Atualmente, João Bernardo Vieira é o presidente do país, tendo sido reeleito em 1994, nas primeiras eleições do período multipartidário. Guiné-Bissau continua a ser um dos países mais pobres do mundo, sobrevivendo da agricultura e importando todos os produtos industrializados, dada a ausência de indústrias nacionais.

BREVE PANORAMA DA LITERATURA GUINEENSE
         Em conseqüência de, somente entre 1948 e 1958, terem começado as primeiras campanhas de alfabetização na Guiné-Bissau, a escrita literária nesta ex-colônia portuguesa teve um desenvolvimento lento e tardio. Apesar dessa árdua trajetória histórica e social, a literatura desde sempre se fez presente na cultura guineense. Expressa oralmente, em geral transmitida através de relatos dos mais velhos para os mais novos, o corpus literário compunha-se de lendas, adivinhas e provérbios.
         A bibliografia acerca das tradições guineenses no Brasil é poiuco encontrável. Em 1900, foi realizado o primeiro apanhado das tradições da Guiné-Bissau pelo Cônego Marcelino Marques de Barros. Esta recolha intitulou-se Literatura de negros.
         Duas outras coleções foram publicadas; desta vez tendo sob foco a Ilha de Bolama: uma de dibiñas (adivinhas), de 1979, chamada ‘N STA LI ‘N STA LA, e outra de estórias, intitulada Jumbai, também do mesmo ano. Ambas coletâneas foram organizadas por Tereza Montenegro e Carlos Morais. Citemos ainda Mandingas, uma reunião de contos coordenada pelos mesmos autores. Em 1995, coube a Tereza Montenegro a publicação de as enxadas do rei, uma coletânea de contos que explorava a mitologia de pesquisas (INEP) da Guiné-Bissau contribuiu, até maio de 1998, para a divulgação das tradições orais do país, publicando não só diversos textos em crioulo, como também várias obras de autores guineenses. Infelizmente, a guerra contra o Senegal não poupou o INEP, que foi destruído por bombas e tiroteios.
Além de não muito extensa, a literatura escrita da Guiné-Bissau é pouco divulgada e pouco publicada. Este fato prejudica bastante os estudos das letras guineenses.
         Apontam alguns estudiosos da área que as décadas de 20 e 30 do século XX representam o início da literatura guineense, visto que, neste espaço de tempo, surgiram os primeiros textos escritos. A temática explorada nesta fase remetia à natureza de Guiné-Bissau. Todavia, tais olhares voltados a terra, de acordo com o ponto de vista da professora Inocência Mata, significavam, ideologicamente, uma apologia ao colonizador, expressando, assim, uma visão colonialista. Aí se destacam os nomes de Fernanda de Castro e de Fausto Duarte. A primeira é autora dos livros Mariazinha em África, de 1925; As Aventuras de Mariazinha em África, de 1928; O Veneno do sol, romance, do mesmo ano que o anterior; e África raiz, poemas de 1929. O segundo escreveu Auá, novela negra premiada, de 1934; O Negro sem alma, de 1935; A Revolta, de 1945 e Foram estes os vencidos, do mesmo ano. Desta época é também o livro Poemas, de Carlos Semedo.

Referência:
SECCO, Carmen Lúcia Tindó Ribeiro. Literaturas Africanas. Rio de Janeiro: UFRJ, 2006.
MOÇAMBIQUE
         
          Moçambique é um país da África Austral, voltado para o Oriente, banhado pelo oceano Índico. Possui 771.000.000 km de extensão e uma população de aproximadamente 15 milhões de habitantes. A origem de sua sociedade remonta aos séculos III ou IV d.C., quando povos bantu ali chegaram e se fixaram na costa oriental africana entre o lago Niassa e o oceano Índico, ao norte do país.
          Por volta dos séculos VII e VIII, os árabes chegaram à costa africana oriental e estabeleceram o comércio com os bantu. O ouro e o marfim moçambicanos começaram a ser trocados por porcelanas, miçangas e tecidos árabes. Com o crescimento desse comércio, lucrativo para ambas as partes, tanto os árabes quanto os régulos dos povos bantu já “arabizados” criaram xecados, ou seja, sultanatos em alguns pontos do litoral moçambicano.
         Aproximadamente ao final do século XV, alguns reinos bantu, entre os quais o de Monomoplata (este no interior, em região do centro de Moçambique), alcançaram seu apogeu, subjugando outras etnias africanas do centro/sul moçambicano, território que vai do rio Zambeze ao rio Limpopo. É nesse período que se estabelece o primeiro contato com os portugueses, que vinham explorando a costa africana desde 1415, quando aportaram em Ceuta. Dizendo tentarem encontrar um caminho para chegar às Índias, os navegadores lusos aportaram no Norte, na Ilha de Moçambique, em 1498, comandados por Vasco da Gama.
A partir dessa época, iniciou-se a luta dos conquistadores lusitanos para expulsar os árabes e subjugar as populações nativas de Moçambique, se apropriando das riquezas locais. Tais objetivos, no entanto, não foram alcançados com facilidade, devido à resistência dessas etnias africanas.
           Até a metade do século XVIII, os portugueses deram prioridade à exploração das riquezas locais, primeiramente o ouro e depois o marfim. Voltados para esse comércio, os conquistadores, entre os anos de 1502 e 1752, deixaram a administração de Moçambique a cargo da Índia portuguesa (Goa), razão que explica o grande número de indianos em regiões moçambicanas. Contudo, à medida que o tráfico negreiro começava a se intensificar, a extração do ouro e do marfim diminuía. De 1750 a 1860, a ação portuguesa se concentrou no tráfico negreiro.
           No início do século XIX, com mais ou menos dois séculos já passados de comercialização de escravos, a Inglaterra, grande potência européia da época, passou a lutar pelo fim do tráfico negreiro. Tal país tinha sofrido a Revolução Industrial na metade do século anterior, se tornando capitalista. O seu intuito na luta contra o tráfico era, portanto, fazer com que a força do trabalho escravo nas colônias americanas ou africanas fosse substituída por suas máquinas industriais já ultrapassadas.
A posição dessa potência européia dificultou muito a situação de Portugal e ocasionou, em meados do século XIX, o término do tráfico negreiro. A metrópole portuguesa, não tendo mais essa fonte de renda, decidiu, então, se voltar para a efetiva colonização das suas possessões africanas, entre as quais Moçambique. Entretanto, para que a colonização pudesse obter êxito, duas ideologias precisavam ser assimiladas pelos moçambicanos. Uma delas era a de que os portugueses eram superiores a eles tanto cultural, como racialmente e, por isso, mereciam ser respeitados e admirados. A outra consistia em fazer crer que os árabes não eram boas pessoas, merecendo, assim, o desprezo. Os portugueses sempre discriminaram os árabes (que dominaram o comércio moçambicano antes deles), a quem chamavam de “mouros negros”. O domínio português passou aos colonizados um preconceito, silenciando as marcas orientais presentes na cultura daquela colônia. Pretendia-se levar os moçambicanos ao esquecimento “de que não fora pela mão dos portugueses que os mesmos haviam entrado para a História”.
             Inicialmente, muitos dos povos africanos locais incorporaram ambas ideologias, negando tanto os traços árabes que possuíam devido aos séculos de contato com orientais, como também as heranças de suas próprias etnias, voltando-se para a valorização da cultura portuguesa. Mas, houve também muita resistência de diversas etnias africanas até 1895.
             Neste ano, Mousinho de Albuquerqure, administrador português em Moçambique, conseguiu prender, em Chaimite, o guerreiro moçambicano Gungunhana, chefe dos Vátuas. Foram os povos moçambicanos que mais resistiram à ocupação colonial. Após a dominação de Gungunhana, no final do século XIX, houve uma forte imposição da língua portuguesa como idioma oficial. Nessa época, ocorreu também a fundação de escolas, da imprensa e o aparecimento da literatura escrita.
            Em meados do século XX, mais especificamente no fim dos anos 40, no entanto, houve uma conscientização da urgência de valorização da cultura moçambicana, a partir da percepção das injustiças sofridas pelos negros. Esse foi o período de fundação de uma autêntica literatura, que precedeu a fase literária dos tempos das lutas pela libertação.
Em 1962, o grande líder moçambicano Eduardo Mondlane fundou a FRELIMO (Frente de Libertação de Moçambique). O dia 25 de setembro de 1964 foi estabelecido como do início da guerra pela libertação de Moçambique, que só obteve sua liberdade em 25 de junho de 1975, após quase 11 anos de combate contra o colonialismo português. Eduardo Mondlane lutou muito, mas morreu em 1969, sendo substituído por Samora  Machel, que se tornou o presidente da FRELIMO e assinou um acordo com um representante do governo português, marcando a independência para 25/06/1975. Conclui-se que esse acordo foi decorrente, principalmente, das guerrilhas em Moçambique, mas também da Revolução dos Cravos (ocorrida em 25/04/1974, em Portugal), que deu fim à ditadura de Salazar, cujos efeitos foram tão destrutivos para os portugueses como para os povos africanos colonizados. Eduardo Mondlane foi o primeiro presidente da república popular de Moçambique.
             Seguiu-se à libertação deste país um período de euforia, com a FRELIMO no poder, interrompido dois anos depois com o começo da guerra civil. O povo tomou consciência de que as promessas feitas durante as lutas de libertação não foram totalmente cumpridas, de que a independência não fora a solução para todos os problemas da nação. Assim, diluiu-se parte das utopias revolucionárias. Após 1980, começou, então, um período de desilusão. As disputas políticas entre a RANAMO e a FRELIMO desencadearam, até outubro de 1992, uma guerra de desestabilização que destruiu bastante o país.
Em 4 de outubro de 1992, foi assinado em Roma o acordo de paz. Desde essa época terminaram as guerras em Moçambique. O atual presidente moçambicano é Joaquim Chissano, que substituiu o primeiro, Samora Machel, morto num estranho acidente de aviação em 1986. Há, hoje, um desejo de reconstrução nacional por parte do povo. Entretanto, o neoliberalismo contemporâneo atinge também o contexto econômico e político do país, que abre suas portas ao capitalismo transnacional, às privatizações, fazendo com que muitos moçambicanos se esqueçam dos ideais marxistas da época da independência. Pela proximidade com a África do Sul, muitas empresas sul-africanas começam a dominar parte dos negócios em Moçambique. O neocolonialismo, agora, é exercido pelo FMI e pelo Banco Mundial, que tentam enredar com seus tentáculos todo o planeta.
BREVE PANORAMA DA LITERATURA MOÇAMBICANA
             A literatura moçambicana, antes de a colonização portuguesa se efetivar, era ágrafa e baseava-se nas tradições orais das etnias negras de origem bantu que habitavam originariamente o território hoje designado como Moçambique. Essa literatura oral, mesmo após a imposição da letra pelos colonizadores portugueses, continuou a se desenvolver paralelamente à literatura escrita, o que ainda ocorre até hoje, pois muitas etnias do interior moçambicano não falam o português e passam suas tradições, oralmente, através de estórias, lendas, provérbios e adivinhas.
           Parte do rico patrimônio oral moçambicano foi recolhida por Orlando Mendes, conhecido poeta e prosador da literatura moçambicana. Vale ressaltar que, anterior a ele, tal apreensão cultural esteve a cargo de estrangeiros, que muitas vezes não possuíam a sensibilidade do reconhecimento da literatura oral como tradição dramática de um povo. Orlando Mendes considerou o caráter significativo dessa manifestação cultural, indo contra o pensamento preconceituoso de que as sociedades africanas seriam estéticas, incapazes de guardarem suas tradições.
          Do século XVI ao XIX, apenas uma pequena parcela da população de Moçambique, assim como do restante da África portuguesa, sabia ler e escrever. De um modo geral, não existiam sistemas lingüísticos escritos; as línguas africanas, em sua maioria, eram apenas faladas. As tradições locais continuavam a ser, desse modo, transmitidas oralmente.

         A produção literária escrita colonial desse período restringia-se à literatura de viagens: eram os próprios portugueses que forneciam suas impressões sobre o continente africano, atribuindo a este uma imagem “bárbara” e “exótica” através de historiografias, crônicas e depoimentos científicos e até religiosos. Dos escritos da expansão que deram seu testemunho, destacam-se, entre outros, Diogo do Couto, Fernão Mendes Pinto, Damião de Góis, Garcia de Orla, Duarte Pacheco Pereira, João de Barros. 
Referência:
SECCO, Carmen Lúcia Tindó Ribeiro. Literaturas Africanas. Rio de Janeiro: UFRJ, 2006.