A Cultura quilombola.
O Brasil, como ex colônia portuguesa, traz em sua história uma mancha de sangue marcada pela cultura escravista trazida de Portugal pelos nossos colonizadores.
Os negros trazidos de África como escravos representavam maior resistência aos senhores fazendeiros que os mulatos nascidos em território brasileiro, no entanto, indiferentemente da origem, o negro escravo sempre manteve em seu íntimo o desejo de luta pela liberdade. Essa constante luta pela liberdade levou muitos desses escravos a fugirem das fazendas. Os escravos fugitivos que não eram recuperados embrenhavam-se pelo mato e se escondiam em territórios isolados, de acesso difícil. A opção por esses locais isolados não era inocente. Refugiavam-se em meio a floresta, pois era uma das poucas formas de protegerem a liberdade que conquistavam pela fuga.
A criação dessas ilhas de proteção entranhadas mata a dentro originou os Quilombos.
Os quilombos, durante o período imperialista, representavam um sonho de esperança e liberdade. Esses quilombos, hoje são comunidades rurais mantidas por descendentes de escravos que vivem segundo um ideal de apoio mutuo entre eles.
Mesmo estando isolados do convívio social com o restante da sociedade brasileira, os quilombos não estão desprovidos de cultura e conhecimento. O povo quilombola tem um profundo conhecimento sobre plantas medicinais, manejo sustentável da terra entre outros. Sua cultura é enriquecida com histórias e lendas transmitidas de uma geração à outra por tradições orais. As histórias do povo negro, da luta, do sofrimento e da libertação são cantadas nas rodas de Ki Zomba.
Para o povo quilombola a terra em que vivem representa todo um passado de luta e esperança e faz parte da cultura quilombola o respeito a terra. Para esse povo, sua terra é preciosa e precisa ser preservada. Eles não vêem a terra como bem material passível de venda. É a terra que lhes prove a vida e a existência.
Mesmo sendo um povo carente de recursos e tendo o acesso à educação e à saúde limitados pelas dificuldades, a cultura dos quilombolas é rica e sua história também é nossa história e faz parte da história brasileira.
Comentários sobre o modo de viver dos remanescentes quilombolas, por Cintia de Faria da Silva.
Fica visível a carência os quilombos, porém por outro lado podemos ver o amor pela terra por direito conquistada por gerações anteriores, o respeito pela história e pela natureza, visto que alguns dos territórios quilombolas tem uma taxa de desmatamento inferior a 20%.
É admirável o carinho, o manter a família, o desenvolvimento de uma cultura, o reconhecimento da história, os meios de vida simples sem se deixar levar pelo progresso e pelo capitalismo exagerado dos dias atuais, mesmo vivendo em condições tão precárias.
É dever do governo prover e implementar políticas que permitam o desenvolvimento e a existência das comunidades, no entanto, desenvolver sem romper com a cultura.
Cintia de Faria da Silva. (Graduanda da FEUC em Letras 6º período.)
REFERÊNCIAS:
HTTP:// www.geografia.seed.pr.gov.br
Revista USP. São Paulo, nº 68 p. 104-111. Dezembro/ fevereiro 2005-2006.
HTTP:// www.pucsc.br/revistanunes
Revista Nunes nº 13. Setembro/dezembro de 2009. Etinicidade e religiosidade de Olaria, em Irará (BA).
Comunidades quilombolas no Brasil
(Áudio e vídeo)
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