sábado, 7 de junho de 2014

Contexto histórico dos países africanos de língua portuguesa 
ANGOLA


Situada na África Ocidental, banhada pelo Oceano Atlântico, numa extensão de 1600 km, a República de Angola compõe-se, em termos de território, em duas partes, separadas por uma pequena porção de terra, sendo a menor constituída pelo enclave de Cabinda, com área de 7680 km . O território angolano, na sua totalidade, tem uma superfície de 1.259.000 km2 e sua população aproximada é de 10 milhões de habitantes. A capital do país é Luanda.
Apesar de a língua oficial ser a portuguesa, no território coexistem nove grupos etnolingüísticos diversos, o que resulta em um grande número de línguas nacionais falada pelos habitantes do país.
A chegada portuguesa a Angola data de 1482, com a expedição de Diogo Cão. A resistência ao colonizador português sempre se fez sentir no território, sendo digna de menção, entre outras figuras, a rainha Nzinga que, no século XVII, chegou a realizar alianças com os holandeses, que haviam invadido Angola, para tentar derrotar os portugueses.
A opressão colonial foi intensa e o dia 4 de fevereiro de 1961 marca o início da luta armada de libertação contra o jugo português, quando nacionalistas com armas toscas atacaram as prisões de Luanda, tentando libertar companheiros presos. A independência do país ocorreu a 11 de novembro de 1975 e seu primeiro presidente foi Agostinho Neto, na época dirigente do MPLA (Movimento Popular pela Libertação de Angola), partido fundado em 1956.
A pós-independência de Angola foi bastante conturbada. Passada a euforia da libertação, travou-se uma guerra de desestabilização fratricida. A UNITA (União Nacional para a Independência Total de Angola), liderada por Jonas Savimbi, se opôs ao governo do MPLA, apoiada inicialmente pela África do Sul, então sob governo racista, e pelos Estados Unidos. Esse confronto sangrento se arrastou por quase 30 anos. Em 1992, Savimbi concorreu às eleições para a presidência da República do país e, tendo perdido para José Eduardo dos Santos, do MPLA, intensificou novamente a guerra interna, que ceifou numerosas vidas e destruiu o território angolano.
Angola hoje vive uma situação de paz, depois da morte de Jonas Savimbi, em fevreiro de 2002, e do cessar-fogo, em 4 de abril de 2002. Entretanto, a situação é muito complexa: as feridas da guerra deixaram cicatrizes profundas e o neoliberalismo lança seus tentáculos também sobre a África, principalmente Angola. País rico, produtor de diamantes e petróleo. A guerra findou, mas um neocolonialismo, comandado pelo FMI e pelo Banco Mundial, cria novas relações de dependência e opressão.

Referência bibliográfica

SECCO, Carmen Lúcia Tindó Ribeiro. Literaturas Africanas. Rio de Janeiro: UFRJ, 2006.

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