O Vendedor de Passados é uma obra do autor José Eduardo Agualusa. Foi publicado em 2004 e é uma sátira e denúncia à política e questões sociais e culturais da atual Angola. Agualusa viveu de perto as tensões da guerra e as crises pós guerra e estes acontecimentos são narrados através de contos, poesias, romances, características próprias das Literaturas Africanas. Em que o autor vive as problemáticas sociais e transpõem através de textos literários.
Em O Vendedor de Passados no primeiro capítulo, Agualusa faz o uso de uma música. Nela, a primeira estrofe diz ” Nada passa, nada expira / O passado é / um rio que dorme / e a memória uma mentira / multiforme”. Trabalhar com questões relacionadas ao passado nas Literaturas Africanas de língua portuguesa ainda se faz presente e é um traço forte e contemporâneo. Devido ao passado histórico e a formação da cultura africana, a imagem do europeu aparecerá na maioria das obras. No caso desta obra, o europeu é um oficial da marinha portuguesa em seu uniforme de gala.
Em um diálogo aparecerá uma dança típica de Angola. O cuduro. Tal dança, é tão popular e tão importante culturalmente para esta região do continente africano que acabou sendo explorada em outros territórios africanos de língua portuguesa.
A paixão pela terra, por seus costumes e culturas fica nítido em uma dança da mulher negra com o albino. “Se não tem cuduro, não tem quizomba” . Ou seja,não tem alegria, não tem festa, não tem o calor que teria se estivesse tocando o seu ritmo.
O autor neste capítulo cita alguns artistas de Angola. Banda Maravilha e Paulo Flores. A pátria é algo tão querido e importante para o povo angolano que o primeiro álbum gravado da Banda Maravilha se chamou “Angola Maravilha” e o segundo “Samba, Luanda”.
No último parágrafo se deve novamente a exaltação da cultura do seu povo. Colocando a mulher africana como uma verdadeira deusa de pele perfeita, muito negra, uma negra de pele bonita e luminosa. Uma atenção a esse adjetivo: luminosa, luz. E a descrição dada ao albino como uma pele seca, áspera, cor de rosa.
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
AGUALUSA, José Eduardo. O Vendedor de Passados. Rio de Janeiro: Gryphus, 2004.
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