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quinta-feira, 7 de julho de 2016
sábado, 30 de abril de 2016
segunda-feira, 7 de março de 2016
sábado, 2 de janeiro de 2016
Belíssimo conto!
Natacia Evilen Queiroz Araújo
Graduanda do 6º período de Letras/Literaturas e Bolsista PIBID Interdisciplinar/FIC
Graduanda do 6º período de Letras/Literaturas e Bolsista PIBID Interdisciplinar/FIC
Coordenadoras: Norma Maria
Jacinto da Silva e Janice Souza
Coisa que a gente nem
imagina que é, é
Era uma vez, um menino chamado Masala.
Ele era pretinho da cor do café. Ele se achava diferente porque os meninos de
sua escola eram branquinhos da cor do leite. O cabelo de Masala era duro que
nem água entrava e o dos outros meninos eram molinhos que da água escorria.
Um dia, vó Antônia sentada na sala
mostrava toda orgulhosa as fotos de família.
- Quem é essa gente toda vestindo
esquisito, vó?
Vó Antônia riu e pôs-se a explicar:
- Essa gente pretinha e bonita é
nossa família. Todos de um país muito lindo na África: Guiné-Bissau. Sua velha
vó aqui veio de lá, sabia?
Masala olhou... Olhou... Olhou...
Até que o olho parou pra olhar um
menino na fotografia. O menino que ele via, tinha seu tamanho e era tão
pretinho como ele, da cor do café. Masala o achou risonho e até parecido. Ele
ficou curioso pra saber mais:
- Vó Antônia... E esse aqui?
- Ah, meu brotinho... Esse? Esse é
Masala, meu irmão e seu tio avô.
Masala ficou mais abismado ainda: Que
diabo! Como podia aquele menino tão pretinho da cor do café ser tão parecido
com ele e ainda ter seu nome?
Vó Antônia que não era boba, percebeu
o estranhamento e os dois olhos arregalados do moleque, começou a contar:
- Seu tio avô foi um menino muito
corajoso como você. Ele era da tribo Fula, toda nossa família veio de lá.
E continuou:
- A noite da África é a mais bonita
do mundo, sabia? E veja bem que, o mundo é bem grande! Os nossos dentes são
brancos como as estrelas e nosso cabelo é forte como as árvores de nossa terra!
Um dia, tivemos de sair de lá, viemos para o Brasil, e muitos de nós para outros
países para que o nosso povo colorisse os outros povos.
- Igual no arco íris, vó?
- Sim, filho. Tem um bocadinho da
tinta que pintou nossa cor em cada pedacinho desse mundão. Tem fruta nossa, tem
músicas, instrumentos, histórias, brincadeiras e muito mais! Até que coisa que
a gente nem imagina que é, é.
- Vó... Meu cabelo é forte igual de
árvore?
- Sim, filho.
- Minha cor é cor da noite?
- Sim, filho. É sim.
- E meus dentes, vó? São as estrelas
da minha noite?
- Sim, meu pequeno. E da minha noite também.
Seu sorriso “alumeia” que chega a arrepiar minha noite – Disse vó Antônia
apontando pra pele.
- Vó...
- Diga meu pequeno...
- A água que sai do olho da gente é
igual a dos brancos porque a gente chora amor, né?!
- Sim, meu filho... É sim. (A essa altura,
vó Antônia era puro orgulho)
- E o amor não tem cor, né vó?!
E vó Antônia, emocionada, lavou a
noite dela de amor enquanto Masala brincava feliz exibindo suas estrelas
branquinhas.
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