sábado, 2 de janeiro de 2016

Belíssimo conto!



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Natacia Evilen Queiroz Araújo
Graduanda do 6º período de Letras/Literaturas e Bolsista PIBID Interdisciplinar/FIC

Coordenadoras: Norma Maria Jacinto da Silva e Janice Souza

 

Coisa que a gente nem imagina que é, é

 

            Era uma vez, um menino chamado Masala. Ele era pretinho da cor do café. Ele se achava diferente porque os meninos de sua escola eram branquinhos da cor do leite. O cabelo de Masala era duro que nem água entrava e o dos outros meninos eram molinhos que da água escorria.

Um dia, vó Antônia sentada na sala mostrava toda orgulhosa as fotos de família.

- Quem é essa gente toda vestindo esquisito, vó?

Vó Antônia riu e pôs-se a explicar:

- Essa gente pretinha e bonita é nossa família. Todos de um país muito lindo na África: Guiné-Bissau. Sua velha vó aqui veio de lá, sabia?

Masala olhou... Olhou... Olhou...

Até que o olho parou pra olhar um menino na fotografia. O menino que ele via, tinha seu tamanho e era tão pretinho como ele, da cor do café. Masala o achou risonho e até parecido. Ele ficou curioso pra saber mais:

- Vó Antônia... E esse aqui?

- Ah, meu brotinho... Esse? Esse é Masala, meu irmão e seu tio avô.

Masala ficou mais abismado ainda: Que diabo! Como podia aquele menino tão pretinho da cor do café ser tão parecido com ele e ainda ter seu nome?

Vó Antônia que não era boba, percebeu o estranhamento e os dois olhos arregalados do moleque, começou a contar:

- Seu tio avô foi um menino muito corajoso como você. Ele era da tribo Fula, toda nossa família veio de lá.

E continuou:

- A noite da África é a mais bonita do mundo, sabia? E veja bem que, o mundo é bem grande! Os nossos dentes são brancos como as estrelas e nosso cabelo é forte como as árvores de nossa terra! Um dia, tivemos de sair de lá, viemos para o Brasil, e muitos de nós para outros países para que o nosso povo colorisse os outros povos.

- Igual no arco íris, vó?

- Sim, filho. Tem um bocadinho da tinta que pintou nossa cor em cada pedacinho desse mundão. Tem fruta nossa, tem músicas, instrumentos, histórias, brincadeiras e muito mais! Até que coisa que a gente nem imagina que é, é.

- Vó... Meu cabelo é forte igual de árvore?

- Sim, filho.

- Minha cor é cor da noite?

- Sim, filho. É sim.

- E meus dentes, vó? São as estrelas da minha noite?

- Sim, meu pequeno. E da minha noite também. Seu sorriso “alumeia” que chega a arrepiar minha noite – Disse vó Antônia apontando pra pele.

- Vó...

- Diga meu pequeno...

- A água que sai do olho da gente é igual a dos brancos porque a gente chora amor, né?!

- Sim, meu filho... É sim. (A essa altura, vó Antônia era puro orgulho)

- E o amor não tem cor, né vó?!

E vó Antônia, emocionada, lavou a noite dela de amor enquanto Masala brincava feliz exibindo suas estrelas branquinhas.

 

 

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